quarta-feira, 4 de outubro de 2023

CONFERÊNCIA LIVRE E POPULAR SOBRE O HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ANTÔNIO PEDRO * DCE FERNANDO SANTA CRUZ UFF/Niterói.RJ

CONFERÊNCIA LIVRE E POPULAR SOBRE O HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ANTÔNIO PEDRO
DCE FERNANDO SANTA CRUZ
UFF

Convidamos você a participar da Conferência Livre e Popular sobre o Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP).

Este é um evento para usuários, trabalhadores e estudantes envolvidos com o HUAP. Dentro do nosso hospital, vamos conversar sobre gestão e sobre alternativas para superar os desafios que encontramos.

Considerando que a comunidade, parte vital desse hospital, não possui espaço para debater e decidir quais caminhos deve tomar para servir melhor à todos, esse evento surge da vontade autônoma do povo em criar um conselho para retomar as rédeas da gestão.

O HUAP é público. Ou seja, seus usuários devem ter liberdade para orientar o funcionamento do hospital, seus trabalhadores devem ser capazes de escolher quais condições de trabalho serão as melhores para prestarem seus serviços e os estudantes devem poder colocar em discussão qual o melhor caminho para ter acesso ao tripé ensino-pesquisa-extensão de qualidade.

Ou seja, essa Conferência é o pontapé inicial para uma gestão participativa e popular do nosso Hospital Universitário Antônio Pedro.

Venha participar e potencializar essa construção! Será no dia 23 de outubro às 13h no Auditório Aloysio de Paula, dentro do HUAP. 

Todos estão convidados! Compartilhe com todos!

DIRETÓRIO CENTRAL DE ESTUDANTES DA UNIVERSIDDE FEDERAL FLUMINENSE
DCE FERNANDO SANTA CRUZ
UFF

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

QUEM TEM MEDO DO SUS -(Movimento Brasil Operário-MBO/Movimento Pautas Populares-MPP/Forum de Trabalhadores da Saúde-FTS)

QUEM TEM MEDO DO SUS

SUS PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DA HUMANIDADE


I - Para reconhecer o Sistema Único de Saúde - SUS como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, algumas ações podem ser realizadas:

1. Mobilização e conscientização: É importante mobilizar a sociedade civil, profissionais de saúde, organizações não governamentais e outros atores envolvidos na saúde para conscientizar sobre a importância do reconhecimento do SUS como patrimônio cultural imaterial. A aprovação da proposta na Conferência Nacional Livre de Saúde organizada pela Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia – ABMMD e referendada na etapa nacional da 17ª Conferência Nacional de Saúde representou um grande avanço na perspectiva deste reconhecimento pela UNESCO.

2. Documentação e pesquisa: Realizar estudos e pesquisas que evidenciem a relevância histórica, social, cultural e política do SUS. Documentar experiências, práticas e saberes relacionados ao sistema de saúde brasileiro.

3. Elaboração de dossiê: Preparar um dossiê detalhado que apresente as características, os valores e os elementos que tornam o SUS um patrimônio cultural imaterial do Brasil e da humanidade. O dossiê deve conter informações sobre a história, os princípios, as políticas e as práticas do SUS, bem como exemplos de sua implementação e de seu impacto na saúde da população brasileira.

4. Apoio de instituições e especialistas: Buscar o apoio de instituições de saúde, universidades, especialistas em patrimônio cultural e outras entidades que possam contribuir com a elaboração do dossiê e com a defesa do reconhecimento do SUS como patrimônio cultural imaterial.

5. Articulação com órgãos internacionais: Entrar em contato com órgãos internacionais responsáveis pelo reconhecimento de patrimônios culturais imateriais, como a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), para apresentar o dossiê e solicitar o reconhecimento do SUS Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

6. Divulgação e sensibilização: Promover campanhas de divulgação e sensibilização sobre a importância do SUS como patrimônio cultural imaterial da humanidade, utilizando diferentes meios de comunicação, como mídias sociais, eventos, seminários e publicações.

7. Engajamento político: Buscar o apoio de parlamentares e governantes para que eles se envolvam na defesa do reconhecimento do SUS como patrimônio cultural imaterial, por meio de projetos de lei, moções e outras iniciativas políticas.

8. Monitoramento e avaliação: Acompanhar o processo de reconhecimento do SUS como patrimônio cultural imaterial da humanidade monitorando os avanços, avaliando os resultados e ajustando as estratégias, se necessário.

Essas ações podem contribuir para o reconhecimento do SUS como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, valorizando sua importância histórica, social e cultural, e fortalecendo seu papel na promoção da saúde e no acesso universal aos serviços e às ações de saúde no Brasil.

II - A elaboração do dossiê para o reconhecimento do SUS como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade deve seguir algumas etapas e conter informações relevantes sobre o sistema de saúde brasileiro. Aqui estão algumas orientações sobre como elaborar o dossiê:

1. Introdução: Inicie o dossiê com uma introdução que explique o objetivo do documento, destacando a importância do reconhecimento do SUS como patrimônio cultural imaterial da humanidade.

2. Contextualização histórica: Apresente uma contextualização histórica do SUS, abordando sua criação, evolução ao longo do tempo e os principais marcos e políticas que o caracterizam. Destaque a importância do SUS na promoção e proteção da saúde e no acesso universal, integral e com equidade e participação social aos serviços e às ações de saúde no Brasil.

3. Princípios e valores: Descreva os princípios e valores que norteiam o SUS, como a universalidade, a integralidade, a equidade e a participação social. Explique como esses princípios são aplicados na prática e como contribuem para a efetividade do sistema de saúde.

4. Políticas e programas: Apresente as principais políticas e programas implementados pelo SUS, como o Programa Nacional de Imunizações, o Programa Saúde da Família, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, o Programa Nacional de Atenção à Saúde Bucal, a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, o Serviço de Atenção Móvel de Urgência, entre outros. Destaque os resultados alcançados por essas políticas e programas na melhoria da saúde da população.

5. Participação social: Explique a importância da participação social no SUS, destacando a atuação dos conselhos de saúde, das conferências de saúde e de outras instâncias de participação. Mostre como a participação social fortalece a gestão democrática e a tomada de decisões no sistema de saúde.

6. Impacto na saúde da população: Apresente evidências do impacto positivo do SUS na saúde da população brasileira, como a redução da mortalidade infantil, o aumento da expectativa de vida, a melhoria do acesso aos serviços de saúde e a redução das desigualdades em saúde.

7. Experiências e práticas inovadoras: Destaque experiências e práticas inovadoras desenvolvidas no âmbito do SUS, como a implementação de tecnologias de informação e comunicação na saúde, a integração entre atenção primária e atenção especializada, a valorização da medicina tradicional e a promoção da saúde mental.

8. Reconhecimento internacional: Apresente exemplos de reconhecimento internacional do SUS, como prêmios, menções honrosas e referências em publicações internacionais. Destaque a importância do reconhecimento do SUS como patrimônio cultural imaterial da humanidade para a saúde global.

9. Conclusão: Encerre o dossiê com uma conclusão que reforce a importância do reconhecimento do SUS como patrimônio cultural imaterial da humanidade e ressalte os benefícios desse reconhecimento para a preservação e valorização do sistema de saúde brasileiro.

É importante que o dossiê seja embasado em dados e evidências, utilizando referências bibliográficas e fontes confiáveis. Além disso, é recomendado que o dossiê seja elaborado de forma colaborativa, envolvendo diferentes atores e especialistas na área da saúde.

III – Proposta da estrutura do Dossiê

1. Introdução:

- Objetivo do dossiê.

- Importância do reconhecimento do SUS como patrimônio cultural imaterial da humanidade.

2. Contextualização histórica:

- Criação do SUS e sua evolução ao longo do tempo.

- Marcos e políticas que caracterizam o sistema de saúde brasileiro.

3. Princípios e valores:

- Universalidade, integralidade, equidade e participação social como fundamentos do SUS.

- Aplicação prática dos princípios e valores no sistema de saúde.

4. Políticas e programas:

- Apresentação das principais políticas e programas implementados pelo SUS.

- Resultados alcançados por essas políticas e programas na melhoria da saúde da população.

5. Participação social:

- Importância da participação social no SUS.

- Atuação dos conselhos de saúde, das conferências de saúde e de outras instâncias de participação.

6. Impacto na saúde da população:

- Evidências do impacto positivo do SUS na saúde da população brasileira.

- Redução da mortalidade infantil, aumento da expectativa de vida, melhoria do acesso aos serviços de saúde, entre outros indicadores.

7. Experiências e práticas inovadoras:

- Destaque para experiências e práticas inovadoras desenvolvidas no âmbito do SUS.

- Implementação de tecnologias de informação e comunicação na saúde, integração entre atenção primária e especializada, valorização da medicina tradicional, promoção da saúde mental, entre outros exemplos.

8. Reconhecimento internacional:

- Prêmios, menções honrosas e referências em publicações internacionais recebidos pelo SUS.

- Importância do reconhecimento do SUS como patrimônio cultural imaterial da humanidade para a saúde global.

9. Conclusão:

- Reafirmação da importância do reconhecimento do SUS como patrimônio cultural imaterial da humanidade.

- Benefícios desse reconhecimento para a preservação e valorização do sistema de saúde brasileiro.

10. Anexos:

- Documentos, estudos, pesquisas e outras referências que fundamentam o dossiê.

IV – Proposta de Minuta de Dossiê

1. Introdução:

O presente dossiê tem como objetivo apresentar o Sistema Único de Saúde - SUS como PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DA HUMANIDADE. Reconhecer o SUS como patrimônio cultural imaterial da humanidade é fundamental para valorizar sua importância histórica, social e cultural, além de fortalecer o seu papel na promoção e recuperação da saúde e no acesso universal aos serviços e às ações de saúde no Brasil na perspectiva da integralidade, equidade e participação da sociedade.

2. Contextualização histórica:

O SUS foi criado em 1988, por meio da Constituição Federal Brasileira, constitui a maior conquista social do povo brasileiro do Século XX, é um projeto civilizatório e representa um marco na história da saúde pública no país. Desde então, o Sistema tem evoluído e vem se consolidando como referência nacional e mundial em saúde pública, com políticas e programas que visam garantir o direito à saúde para todos os brasileiros e todas as brasileiras.

A criação do Sistema Único de Saúde (SUS) pela Constituinte em 1988 e sua regulamentação em 1990, por meio das Leis Orgânicas da Saúde nº 8.080 e 8.142, provocaram diversos impactos na sociedade brasileira, tais como:

- Acesso universal à saúde: O SUS garante o acesso universal e igualitário aos serviços de saúde, independentemente da condição socioeconômica das pessoas. Isso permitiu que milhões de brasileiros e brasileiras, que antes não tinham acesso à saúde, pudessem receber atendimento médico e de outros profissionais da saúde e medicamentos gratuitos. O Serviço de Atenção Móvel de Urgência - SAMU 192, criado em 2003, faz parte da Política Nacional de Urgências e Emergências e atende os casos de urgência e emergência. Ele é financiado pelos Governos Federal, Estaduais e Municipais, com a finalidade de melhorar o atendimento à população, independente da sua condição sócio-econômica, raça, cor, sexo e nacionalidade e é um exemplo da aplicação na prática da garantia do acesso universal previsto na Constituição Federal e um dos pilares do SUS. O SAMU 192 presta socorro à população nas residências, nos locais de trabalho e nas vias públicas. A equipe é composta por condutores-socorristas, técnicos em enfermagem, enfermeiros e médicos, todos capacitados em atendimento de urgência de natureza traumática, clínica, pediátrica, obstétrica e psiquiátrica. O SAMU é responsável pela regulação de todos os atendimentos de urgência via telefone, pelos atendimentos móveis que dispensam as viaturas e pelas transferências de pacientes aos hospitais. 

- Redução da mortalidade infantil: O SUS implementou políticas de saúde voltadas para a redução da mortalidade infantil, como a ampliação do pré-natal, a vacinação em massa, a distribuição de medicamentos e a implantação do Programa Saúde da Família - PSF. Isso contribuiu para a queda significativa da taxa de mortalidade infantil no país. De acordo com o Relatório de Progresso 2013 sobre o Compromisso com a Sobrevivência Infantil: Uma Promessa Renovada, do Fundo das Nações Unidas par a Infância – Unicef, a taxa de mortalidade infantil no Brasil em 1990 era de 62 para cada mil nascidos vivos e em 2012 a taxa caiu para 14 para cada mil nascidos vivos.

- Ampliação da cobertura vacinal: O SUS é responsável pela maior campanha de vacinação do mundo, garantindo a imunização gratuita de milhões de brasileiros. Isso contribuiu para a erradicação de diversas doenças e a redução da incidência de outras.Criado em 1973, o Programa Nacional de Imunizações – PNI é responsável pela Política Nacional de Imunizações que visa reduzir a transmissão de doenças imunopreveníveis, ocorrência de casos graves e óbitos, com fortalecimento de ações integradas de vigilância em saúde para promoção, proteção e prevenção em saúde da população brasileira. O PNI é responsável por definir a política de vacinação do País, desde a aquisição dos imunobiológicos até a sua disponibilização nas salas de vacinação, estabelecimento de normas e diretrizes sobre as indicações e recomendações da vacinação em todo o Brasil. Com quase 50 anos de existência e 47 diferentes imunobiológicos ofertados, o PNI é um dos maiores programas de vacinação do mundo, reconhecido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial de Saúde - OMS, como referência mundial. O PNI também é responsável pela definição do Calendário Nacional de Vacinação, que contempla todas as vacinas de rotina. Essa diretriz importante acompanha todos os brasileiros desde o primeiro dia de vida, orientando o período e as vacinas que devem ser tomadas. Após a aprovação da primeira vacina contra a Covid-19 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa para aplicação nos brasileiros, o Ministério da Saúde já havia estruturado um documento que seria o norte da campanha de vacinação, com diretrizes e orientações importantes para estados e municípios, garantindo que a campanha ocorresse de forma igualitária em todo país - o PNO. Isso foi necessário diante da emergência causada pelo vírus e do pouco tempo para a estruturação de uma campanha de vacinação. O PNO foi construído pelo Ministério da Saúde, em conjunto com Conselho Nacional de Secretários de Saúde - Conass e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde - Conasems com estreita parceria com as Sociedades Científicas, os Conselhos de Classe e a  Organização Pan-Americana da Saúde - OPAS/OMS. O PNO define e detalha a operacionalização da vacinação contra a Covid-19 em território nacional, dando suporte aos estados e municípios, bem como aos profissionais de saúde no planejamento e a operacionalização da vacinação. Desde o começo da campanha, já foram distribuídas cerca de 520 milhões de vacinas para os estados e o Distrito Federal. Para que qualquer vacina seja incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação do PNI, é necessária uma avaliação técnica, considerando vários aspectos, como a situação epidemiológica, o comportamento da doença ao longo do tempo e o tipo de vacina. Esse processo também passa pela análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde - Conitec. É importante esclarecer que as vacinas Covid-19 utilizadas no Brasil - Astrazeneca, Janssen, Pfizer e Coronavac - continuam seguindo as diretrizes do PNO e a campanha nacional de vacinação está avançando a partir das recomendações do Ministério da Saúde publicadas nas atualizações do documento que está na 13ª edição. Portanto, os imunizantes contra a Covid-19 precisam passar por uma série de etapas antes da definição pela inclusão ao calendário, respeitando o processo técnico de incorporação definido pelo Ministério da Saúde.Vacinas do Calendário de Vacinação:

• BCG, Hepatite B, Penta (DTP/Hib/Hep B), Vacina Pneumocócica 10 valente, VIP (Vacina Inativada Poliomielite), VRH (Vacina Rotavírus Humano), Meningocócica C (conjugada), VOP (Vacina Oral Poliomielite), Febre amarela, Tríplice viral (Sarampo, rubéola, caxumba), Tetraviral (Sarampo, rubéola, caxumba, varicela), Hepatite A, DTP (tríplice bacteriana), Varicela e HPV quadrivalente (Papilomavírus Humano).

 - Fortalecimento da atenção básica: O Programa Saúde da Família - PSF é uma estratégia do governo brasileiro para reorganizar a atenção básica à saúde no país. Lançado em 1994, o PSF tem como objetivo principal promover a saúde e prevenir doenças por meio de equipes multidisciplinares que atuam nas comunidades. O PSF é composto por equipes de saúde formadas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Essas equipes são responsáveis por acompanhar um determinado número de famílias em uma área geográfica delimitada, conhecida como território de abrangência. O impacto do Programa Saúde da Família na saúde do povo brasileiro tem sido significativo. A atenção básica, que é o foco do programa, é considerada a porta de entrada do sistema de saúde e é fundamental para a prevenção e o controle de doenças. Com a presença das equipes de saúde nas comunidades, é possível identificar precocemente problemas de saúde, realizar o acompanhamento de doenças crônicas, promover ações de prevenção e educação em saúde, além de encaminhar os pacientes para atendimentos especializados quando necessário. Dessa forma, o PSF vem contribuindo para a melhoria dos indicadores de saúde da população brasileira. Estudos mostram que a presença do programa está associada a uma redução da mortalidade infantil, do número de internações por condições sensíveis à atenção básica e do número de óbitos por doenças cardiovasculares e respiratórias. Além disso, o PSF também tem tido um impacto positivo na qualidade de vida das pessoas. A presença das equipes de saúde nas comunidades facilita o acesso aos serviços de saúde, evitando deslocamentos longos e custos adicionais. Além disso, o programa promove a participação ativa da comunidade no cuidado da saúde, fortalecendo os vínculos entre profissionais de saúde e população. No entanto, apesar dos avanços proporcionados pelo Programa Saúde da Família, ainda existem desafios a serem enfrentados. A cobertura do programa precisa ser universalizada, pois existem regiões do país com menor acesso aos serviços de saúde. Além disso, investimento na qualificação das equipes de saúde e na melhoria da infraestrutura das unidades básicas de saúde são necessárias para fortalecimento do PSF. Em resumo, o Programa Saúde da Família tem um impacto positivo na saúde do povo brasileiro, promovendo a prevenção de doenças, o acompanhamento de condições crônicas e a melhoria dos indicadores de saúde. No entanto, é necessário continuar investindo na expansão e qualificação do programa para garantir o acesso universal e a qualidade dos serviços de saúde. 

- Brasil Sorridente: O Brasil Sorridente é um programa do governo brasileiro que tem como objetivo promover a saúde bucal da população. Lançado em 2004, o programa busca ampliar o acesso ao tratamento odontológico gratuito e de qualidade, principalmente para as pessoas que não têm condições financeiras para arcar com os custos de um tratamento particular. Uma das principais ações do Brasil Sorridente é a implantação de Centros de Especialidades Odontológicas - CEO em todo o país. Esses centros oferecem atendimentos especializados, como tratamento de canal, extrações, próteses dentárias, entre outros. Além disso, o programa também promove ações de prevenção, como a aplicação de flúor, ações educativas, escovações supervisionadas e a distribuição de kits de higiene bucal. O impacto do Brasil Sorridente na saúde bucal da população brasileira tem sido significativo. O programa vem contribuindo para a redução da incidência de cáries, doenças periodontais e outras condições bucais, além de melhorar a qualidade de vida das pessoas, uma vez que problemas dentários podem afetar a alimentação, a fala e a autoestima. Além disso, o Brasil Sorridente também tem um impacto positivo na economia do país. A saúde bucal precária pode levar a problemas de saúde mais graves, como infecções e doenças cardiovasculares, o que acarreta em custos elevados para o SUS. Com a promoção da saúde bucal e a prevenção de doenças, o programa vem contribuindo para a redução desses gastos. No entanto, apesar dos avanços proporcionados pelo Brasil Sorridente, ainda existem desafios a serem enfrentados como a necessidade de universalização da cobertura do programa pois ainda há regiões do país com menor acesso aos serviços odontológicos. Além disso, o invesimento na qualificação dos profissionais de saúde bucal e na conscientização da população sobre a importância da saúde bucal são também desafios que o SUS deverá enfrentar. Em resumo, o Brasil Sorridente é um programa que busca promover a saúde bucal da população brasileira, oferecendo tratamento odontológico gratuito e de qualidade. O programa vem tendo um impacto positivo na redução de doenças bucais e na melhoria da qualidade de vida das pessoas. 

- Redução das desigualdades regionais: A criação e implementação do Sistema Único de Saúde - SUS no Brasil contribuíram significativamente para a redução das desigualdades regionais no acesso aos serviços de saúde. Algumas formas pelas quais o SUS promoveu essa redução são:

1. Universalidade: O SUS foi criado com o princípio da universalidade, ou seja, o direito de todos os cidadãos brasileiros e todas as cidadãs brasileiras ao acesso igualitário aos serviços de saúde. Isso significa que independentemente da região em que uma pessoa esteja, ela tem o direito de receber atendimento de saúde adequado e gratuito.

2. Regionalização: O SUS promoveu a regionalização da saúde, dividindo o país em diferentes regiões de saúde. Essa regionalização permitiu uma melhor organização e distribuição dos recursos e serviços de saúde, levando em consideração as necessidades específicas de cada região.

3. Atenção básica: O SUS priorizou a atenção básica como porta de entrada do sistema de saúde. Isso significa que a população tem acesso a serviços de saúde próximos de suas residências, como unidades básicas de saúde e equipes de saúde da família e equipes de saúde bucal. Essa estratégia fortalece o atendimento primário e contribui para a redução das desigualdades regionais.

4. Financiamento equitativo: O SUS é financiado por recursos provenientes de impostos e contribuições sociais, o que permite uma distribuição mais equitativa dos recursos de saúde. Isso significa que regiões mais carentes recebem mais recursos para suprir suas necessidades de saúde, contribuindo para a redução das desigualdades regionais.

5. Participação social: O SUS promove a participação da sociedade civil na gestão e no controle social da saúde. Isso significa que a população tem voz ativa na definição das políticas de saúde e na fiscalização dos serviços prestados. Essa participação contribui para que as necessidades específicas de cada região sejam consideradas e atendidas.

6. Programas específicos: O SUS implementou programas específicos para atender as necessidades de regiões mais carentes, como o Programa Saúde da Família e o Brasil Sorridente. Esses programas visam levar atendimento de saúde básico e odontológico para áreas que antes tinham pouco acesso a esses serviços.

Em resumo, a criação e implementação do SUS contribuíram para a redução das desigualdades regionais no Brasil ao garantir o acesso universal aos serviços de saúde, promover a regionalização da saúde, fortalecer a atenção básica, garantir um financiamento equitativo, promover a participação social e implementar programas específicos para regiões mais carentes. Essas medidas têm sido fundamentais para reduzir as disparidades no acesso aos serviços de saúde em todo o país.

- Farmácia Popular: Criado em 2004, o objetivo do Farmácia Popular é complementar a disponibilização de medicamentos utilizados na atenção primária à saúde, a partir de parceria com farmácias e drogarias da rede privada. Dessa forma, o programa oferece medicamentos gratuitos para diabete, asma e hipertensão. Também faz o subsídio de remédios - com o Ministério da Saúde pagando até 90% do valor de referência tabelado - para doenças como dislipidemia, rinite, Parkinson, osteoporose e glaucoma. O programa inclui também anticoncepcionais e fraldas geriátricas. Os 55 milhões de brasileiros e brasileiras beneficiários do programa Bolsa Família têm acesso gratuito a todos os 40 medicamentos disponíveis no Farmácia Popular. Assim, para usufruir desse benefício, basta que o usuário se dirija a uma farmácia credenciada e apresente a receita médica, juntamente com seu documento de identidade e CPF. O reconhecimento da vinculação com o Bolsa Família será realizado automaticamente pelo sistema. Ou seja, não há a necessidade de um cadastro prévio, de acordo com informações fornecidas pelo Ministério da Saúde. Uma importante ampliação do programa Farmácia Popular foi a inclusão da população indígena. Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é aprimorar e facilitar o acesso, de maneira complementar, aos serviços farmacêuticos básicos já disponibilizados nos distritos sanitários especiais indígenas - DSEI. Com essa iniciativa, todos os 40 medicamentos presentes na lista do programa estarão disponíveis de forma gratuita para os povos indígenas, garantindo um cuidado abrangente e acessível à saúde dessas comunidades. o programa foi atualizado e passou a beneficiar a saúde da mulher. Assim, todas as mulheres têm acesso gratuito a medicamentos específicos para o tratamento da osteoporose, bem como contraceptivos. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, aproximadamente 5 milhões de mulheres em todo o país, que anteriormente arcavam com metade do valor desses medicamentos, serão beneficiadas com a retirada gratuita desses produtos. Essa medida visa ampliar o acesso a medicamentos essenciais e promover a saúde feminina de forma abrangente e inclusiva. Os medicamentos destinados ao tratamento de asma, hipertensão e diabetes, incluídos na lista do programa Farmácia Popular, permanecem disponíveis gratuitamente para todas as pessoas. Ou seja, o objetivo do programa Darmácia Popular é garantir o acesso contínuo e sem custos a esses medicamentos essenciais, beneficiando indivíduos de diferentes públicos. Outra medida importante é a expansão significativa do programa Farmácia Popular, com a possibilidade de credenciamento de unidades em 811 cidades de todas as regiões do país. De acordo com o Ministério da Saúde, 94,4% dessas cidades estão localizadas nas regiões Norte e Nordeste. Com a abertura dessas novas unidades, estima-se que até o final de 2023 o Farmácia Popular estará presente em 5.207 municípios brasileiros. O que representa cerca de 93% do território nacional. Além disso, a medida visa atender às necessidades das populações indígenas aldeadas. Para isso, será designado um representante nos distritos sanitários especiais indígenas - DSEI. que terá terá autorização para retirar os medicamentos não apenas para si, mas também para as demais pessoas da aldeia. 

- Participação social: O SUS possibilita a participação social na gestão da saúde, por meio dos Conselhos de Saúde e das Conferências de Saúde. Isso permite que a população participe das decisões e fiscalize a qualidade dos serviços de saúde. Em 1986, foi realizada a 8ª Conferência Nacional de Saúde, a primeira conferência nacional organizada a partir dos municípios, estados e o do Distrito Federal, a qual contou com a participação de representantes de usuários, trabalhadores e gestores que debateram e aprovaram um relatório final que foi encaminhado ao Congresso Nacional e serviu de subsídios para os parlamentares constituintes aprovarem a criação do SUS com seus princípios doutrinários e organizativos que atualmente fazem parte da Constituição Federal de 1988. De lá para cá, já foram realizadas mais nove conferências nacionais, consolidando a participação social como estratégia política estratégica para a definição de diretrizes para a elaboração das políticas públicas de saúde no Brasil. Existem, hoje, no país 5.570 conselhos municipais de saúde, 26 conselhos estaduais e um conselho distrital, todos paritários com relação à sua representatividade, sendo 50% dos conselheiros representantes de usuários, 25% representantes de trabalhadores e 25% representantes de gestores/prestadores, sendo todos os conselhos de saúde deliberativos.  

- Formação de profissionais de saúde: De acordo com o Art. 200, da Constituição Federal , compete ao SUS, além de outras atribuições, nos termos da lei, ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde. Esta competência foi regulamentada pela Lei Orgânica da Saúde nº 8.080, de 1990, Artigo 27, Parágrafo único que estabelece que "os serviços públicos que integram o Sistema Único de Saúde - SUS constituem campo de prática para ensino e pesquisa, mediante normas específicas, elaboradas conjuntamente com o sistema educacional." Por isso, cabe ao Ministério da Saúde, junto com o Ministério da Educação regulamentar como se dá a utilização da rede de saúde do SUS como campo de prática para o ensino e a pesquisa, quer seja para as instituições públicas ou privadas, já que as ações de atenção básica ou primária somente são executadas no âmbito do SUS. Mesmo as universidades públicas, federais ou estaduais que possuem HU também não executam ações de atenção primária, que é campo obrigatório na formação médica e de outras especialidades da área da saúde. O SUS é responsável pela formação de profissionais de saúde, por meio das universidades públicas e privadas e dos programas de residência médica e multiprofissional de saúde. Isso contribui para a qualificação dos profissionais e o fortalecimento do sistema de saúde como um todo.

Esses são apenas alguns dos impactos que o SUS promoveu na sociedade brasileira após a sua criação e regulamentação. É importante ressaltar que o sistema enfrenta desafios e limitações, mas também representa uma conquista importante para a saúde pública no Brasil.

3. Princípios e valores:

O SUS é fundamentado em princípios e valores que o tornam único e essencial para a sociedade brasileira. A universalidade, integralidade, equidade e participação social são pilares que norteiam todas as ações e políticas do sistema, garantindo o acesso universal aos serviços de saúde, a equidade, a atenção integral e a participação da sociedade na gestão e no controle social.

4. Descrição do patrimônio cultural imaterial:

O patrimônio cultural imaterial proposto para ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade é uma manifestação cultural única e significativa. Compreende práticas, expressões, conhecimentos e técnicas transmitidos de geração em geração, representando a identidade e a história de uma comunidade específica. Serão detalhados os elementos que compõem esse patrimônio, suas características distintivas e a forma como são preservados e transmitidos.

5. Importância e relevância do patrimônio para a humanidade:

O patrimônio cultural imaterial proposto possui uma importância e relevância inestimáveis para os brasileiros e a humanidade. Seu reconhecimento e sua preservação contribuirão para a valorização da diversidade cultural, promovendo o respeito e a compreensão entre diferentes povos e culturas. Além disso, o patrimônio cultural imaterial é um recurso valioso para o desenvolvimento sustentável, o turismo cultural e a promoção do diálogo intercultural.

6. Medidas de salvaguarda e preservação do patrimônio:

Para garantir a salvaguarda e preservação do patrimônio cultural imaterial proposto, devem ser adotadas diversas medidas. Entre elas, destacam-se a realização de investimentos e financiamentos  perenes e de inventários detalhados, a documentação audiovisual das práticas culturais, a promoção de programas de educação sanitária e patrimonial, a capacitação de comunidades e a implementação de políticas de proteção e valorização do patrimônio.

7. Participação da comunidade na preservação do patrimônio:

A participação ativa da comunidade é fundamental para a preservação do patrimônio cultural imaterial. Através de consultas, parcerias e programas de envolvimento, a comunidade é incentivada a contribuir com seus conhecimentos, suas práticas e experiências, fortalecendo a identidade cultural e garantindo a continuidade das práticas e dos serviços. A valorização das práticas sanitárias e culturais nacionais é promovida, incentivando a transmissão do patrimônio para as gerações futuras.

8. Reconhecimento internacional do patrimônio:

O patrimônio cultural imaterial proposto deve receber o reconhecimento internacional por sua importância e relevância.

Além de ser um sistema generoso para com os estrangeiros que visitam o Brasil ou que aqui residem, o SUS tem servido de modelo para outros países que procuram levar para os seus territórios as experiências exitosas desenvolvidas aqui.

Ele deve ser incluído em listas de patrimônio cultural imaterial de organismos internacionais, como a UNESCO, e será objeto de cooperação internacional para sua preservação. O reconhecimento internacional fortalece a visibilidade e a proteção do patrimônio, além de promover o intercâmbio de conhecimentos e boas práticas entre diferentes países e comunidades.

9. Impactos do reconhecimento na comunidade:

O reconhecimento do patrimônio cultural imaterial tem impactos significativos na comunidade. Além de fortalecer a identidade social, cultural e a autoestima, o reconhecimento do SUS PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DA HUMANIDADE assegurará que os seus princípios doutrinários de acesso universal, integralidade, equidade e participação da sociedade se transformem em cláusulas pétreas que não poderão ser alteradas pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, contribuirá para o desenvolvimento econômico e turístico do país, gerando oportunidades de emprego e renda. A valorização das práticas de saúde no SUS também promoverão a transmissão do patrimônio para as gerações futuras, garantindo sua continuidade e preservação.

10. Anexos:

Anexos relevantes para a proposta deverão ser incluídos nesta seção, como documentos de apoio, fotografias, vídeos, depoimentos, entre outros materiais que possam enriquecer a apresentação do patrimônio cultural imaterial proposto.

(AUTORIA DESCONHECIDA)

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quinta-feira, 3 de agosto de 2023

PRAZER! EU ME CHAMO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO * Wladimir Tadeu Baptista Soares/RJ

PRAZER! EU ME CHAMO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO.

Desde o Brasil Reino Unido de Portugal, eu existo, de fato, por aqui. Isto porque, logo após a chegada da família real portuguesa nesta terra, em 1808, D. João VI ordenou a criação de duas Faculdades de Medicina: uma na cidade de Recife e outra na cidade do Rio de Janeiro.

Todavia, aquelas pessoas que foram nomeadas pelo rei para ocupar os cargos de direção daquelas faculdades, logo alertaram à Sua Majestade de que a boa formação médica exigia a existência de um local para o aprendizado das boas práticas clínicas e cirúrgicas realizadas em ambiente hospitalar.

Então, compreendendo isso, D. João VI ordenou que o Hospital da Guarda real e o Hospital dos Jesuítas seriam esses locais. Aí nascia, ainda na sua forma embrionária por aqui, a ideia de hospital-escola.

Os anos passaram, o Brasil tornou-se Império e, posteriormente, República; Universidades Públicas foram sendo criadas e as Faculdades de Medicina passaram a ter os seus próprios hospitais públicos universitários, integrados às Universidades Públicas Federais e Estaduais, verdadeiras extensões, estruturais e orgânicas, das respectivas Faculdades de Medicina – e também de todas as Faculdades responsáveis pela formação de profissionais da saúde -, e campo de ensino-aprendizagem teórico, prático e de pesquisa de todos os estudantes da graduação e pós-graduação, de nível superior, de todas as áreas da saúde, mas, particularmente, Medicina e Enfermagem.

Com a criação do SUS – Sistema Único de Saúde -, previsto na Constituição Federal de 1988, esses Hospitais Públicos Universitários ganharam uma dimensão nova, constituindo-se em centros de alta complexidade na assistência em saúde e referências no SUS para essa finalidade.


Na verdade, isso veio reforçar, ainda mais, a sua natureza jurídica de Hospitais-escola e, desse modo, hospitais públicos e gerais, aptos à prestação de serviços médico-hospitalares em todos os níveis de assistência em saúde, possibilitando, assim, aos estudantes das áreas de Ciências da Saúde, um vasto campo de treinamento para as suas respectivas formações acadêmicas profissionais. Mais do que isso, como hospitais integrantes do SUS, passaram a se submeter ao chamado controle social do SUS, firmando-se como instituições pertencentes à sociedade, e não ao Estado ou a qualquer governante.

Concebidos como “instituições vivas”, de caráter emancipatório e democrático, esses Hospitais passaram a ser centros de excelência no desenvolvimento das ciências médicas, tendo por finalidade o atendimento ao interesse público primário, ou seja, o bem comum da comunidade.

Para atender a esse seu caráter e a esta sua finalidade, a “Autonomia Universitária” é elemento necessário e obrigatório, do mesmo modo que o seu regime jurídico administrativo de direito público também é.

Servidores públicos concursados, estáveis, ocupando cargos reconhecidos como essenciais, compondo uma carreira pública de Estado, passaram a ser um elemento de estabilidade, eficiência e continuidade institucional e de prestação de serviços públicos (saúde e educação) considerados de relevância pública no Texto Constitucional, implicando na formação de uma identidade própria junto à comunidade na qual aquele determinado Hospital Público Universitário está inserido. Sem qualquer finalidade de lucro econômico, a sua finalidade única está no lucro social.

Em razão disso, esses Hospitais nasceram também como espaços públicos abertos aos anseios e necessidades da população, no que se refere ao direito à saúde e à educação, não se justificando, em hipótese alguma, que não funcionem com as suas portas abertas 24 horas por dia, todos os dias e noites da semana, seja para ações de prevenção, promoção, diagnóstico, tratamento, recuperação ou reabilitação em saúde.

Como Hospitais Públicos Universitários, estes funcionam também como instrumentos de realização de justiça social, fortalecimento da Democracia e preservação da dignidade da pessoa humana, não sendo, portanto, admissível que se estabeleçam restrições ao livre acesso a esses Hospitais, em respeito aos Princípios Constitucionais da Universalidade, Igualdade e Integralidade da assistência em saúde à população.

Todavia, hoje, nós, os Hospitais Públicos Federais Universitários, estamos sendo totalmente desfigurados, desnaturalizados, afastados das comunidades as quais pertencemos, e fomos transformados em hospitais assistenciais empresariais, filiais de uma empresa pública com personalidade jurídica de direito privado – a chamada EBSERH (Empesa Brasileira de Serviços Hospitalares), que tem finalidade lucrativa e que não tem compromisso com a Educação em Saúde. Desligados das nossas origens, ou seja, das nossas respectivas Universidades Publicas Federais, já que fomos cedidos para essa empresa, perdemos a nossa autonomia e passamos a ser submetidos à uma gestão de caráter empresarial que visa atender os interesses da empresa, e não os interesses da sociedade e da comunidade acadêmica. Foram criados inúmeros cargos comissionados, onerando em demasia os cofres públicos – já que a EBSERH é uma empresa estatal dependente 100% da União -, sem qualquer resultado de qualidade superior aos resultados que sempre obtivemos quando estávamos integrados às Universidades.

A EBSERH não traz dinheiro novo (recursos novos) para os antigos Hospitais Universitários, contando com os recursos já previstos no REHUF e com as verbas arrecadadas do SUS.

Além disso, o assédio moral praticado contra os servidores públicos estatutários que permaneceram trabalhando nesses hospitais passou a ser um costume administrativo dessa empresa. Para conhecer o que é, de verdade, essa empresa, necessário ouvir o que têm a dizer estudantes, professores e servidores técnico-administrativos que estão, hoje, atuando nesses hospitais sob a gestão empresarial da EBSERH. É preciso ouvir os Sindicatos.

Assim, o nosso caráter de instituição social está sendo corroído, sendo imperativo, para o bem da sociedade, dos estudantes, dos servidores públicos (professores e não professores) e da própria Universidade Pública Federal, a imediata extinção dessa empresa inútil, fruto da insensatez e estupidez daqueles que a criaram e que aprovaram a sua criação. A alternativa à sua extinção é a rescisão unilateral de todos os contratos celebrados entre as Universidades Públicas Federais e a EBSERH.

Portanto, é urgente resgatar os Hospitais Públicos Federais Universitários de volta para as suas respectivas Universidades Públicas Federais.

Por uma questão de defesa dos interesses da sociedade, da Autonomia Universitária e do SUS. Porque é preciso corrigir o rumo.

Wladimir Tadeu Baptista Soares

Advogado; Médico da Divisão de Promoção e Vigilância em Saúde da Universidade Federal Fluminense (UFF); Professor de Clínica Médica do Departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF); Residência Médica em Clínica Médica (UFF); Especialização em Direito Processual Civil (UFF); Especialização em Medicina do Trabalho (UFF); Mestre em Justiça Administrativa (UFF); Doutor em Direitos, Instituições e Negócios (UFF); Delegado da Comissão de Políticas Públicas e Controle Social da OAB Niterói – RJ (triênio 2019-2021); Ex-chefe do Serviço de Emergência do Hospital Universitário Antônio Pedro (UFF); Membro Associado da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD); Pesquisador do Instituto Gilvan Hansen. E-mail: wladuff.huap@gmail.com
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SEM TETOS ENCHEM AS RUAS DE NOVA YORK: ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA * Movimento Pautas Populares/MPP


SEM TETOS ENCHEM S RUAS DE NOVA YORK: ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA



Milhares de imigrantes da América Latina e África enchem as ruas de Nova York, nos EUA. Além das ruas, escolas e centros comunitários também se converteram em abrigo para os refugiados.

A vice-prefeita da cidade, Anne Williams-Isom, apelou ao governo para prestar assistência adicional. Caso contrário, segundo ela, Nova York pode "deixar de existir".

Só ao longo da última semana, 2,3 mil imigrantes chegaram à cidade; o hotel Roosevelt foi transformado em refúgio e agora está acolhendo mais de mil pessoas.

O prefeito de Nova York Eric Adams classificou a crise migratória como "catástrofe".

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FAVELA E MOVIMENTO DOS FAVELADOS * Vania Bambirra/RJ

FAVELA E MOVIMENTO DOS FAVELADOS
Vania Bambirra
1985
Primeira Edição: Jornal Favela, Rio de Janeiro, Especial, 1985, p. 5.

O surgimento e a expansão das favelas não são um fenômeno novo. Suas origens remontam ao fim do século XIX, como consequência do êxodo rural e dos fluxos migratórios estimulados pelos novos empregos que o débil processo de industrialização prometia oferecer.

As favelas não devem ser consideradas, portanto, apenas uma deformação urbanística dos centros industriais, mas uma característica típica destes, um resultado necessário de desenvolvimento do modo de produção capitalista.

Os novos surtos industriais nas décadas de 1930 e 1940 e a expansão dos aglomerados urbanos deles decorrentes irão acentuar paulatinamente a diferenciação existente entre os espaços de moradia dos cidadãos ricos dos pobres, intermediados pelos extensos e populosos bairros da classe média.

Assim, o perfil morfológico, ecológico e demográfico das maiores cidades brasileiras projetará um reflexo cristalino da divisão das classes sociais.

A favelização passa a ser um processo incontinente que tende a abarcar não só a periferia das grandes cidades, mas também seus morros centrais de acesso mais próximos aos locais de trabalho.

Nos anos 1950, devido ao grande impulso desenvolvimentista do Governo Juscelino Kubitschek, associado às tendências permanentes do êxodo rural e ao corrosivo desenrolar do que vem sendo denominado “desertificação do Nordeste”, a favelização tende a se acentuar.

Nesta época são criadas muitas das associações de moradores nas favelas com o objetivo de resistir às expulsões.

No começo da década de 1960, estimuladas pelo clima democratizante e participativo que se alastra pelo país, tais associações se expandem e acumulam forças para a intensa luta contra as remoções que serão deflagradas logo após o golpe civil-militar de 1964.

Durante este período foram registradas algumas vitórias e muitas derrotas expressadas em remoções maciças de favelas.

Porém, a favelização como tendência urbana irresistível no capitalismo dependente prosseguiu o seu curso célere e porfiado, conduzindo a que na década de 1970 as próprias autoridades governamentais tenham finalmente que reconhecer a impossibilidade de remoção e a necessidade de coexistência com as mesmas.

Por fim, a favela conquistou seu espaço inquestionável, seu direito de pelo menos sonhar em vir a ser um bairro urbanizado. ]

A população do Estado do Rio de Janeiro vem registrando taxas crescimento acelerado nas últimas três décadas, bem como um impressionante índice de migração rural-urbana.

Tal situação de aguda desruralização provocou um crescimento urbano e demográfico caótico (5,5 milhões de habitantes em 1980), incentivando o processo de favelização intensivo e extensivo.

As estimativas do Iplan-Rio (Instituto de Planejamento Municipal) baseadas no Censo Demográfico em 1980 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), bem como no cadastramento dos domicílios realizados pela Light, estimulou a população favelada, para o ano-base de 1980, em 722 mil 424 pessoas, distribuídas entre 376 favelas.

Contudo, há de ser tomar em consideração a precariedade dos estudos estatístico-demográficos destes aglomerados urbanos. E é possível estimar, como em geral é feito, que a população favelada e semifavelada – os chamados aglomerados de baixa renda – é de ordem de 2 milhões de habitantes no Município, vale dizer, um terço de sua população total.

Uma favela é um aglomerado urbano não urbanizado, localizado em terrenos de propriedade estatal ou indefinida. Sua origem pode ter se dado através de uma invasão – ocupação simultânea de várias famílias – ou por crescimento contínuo devido à chegada de novos contingentes de população provenientes das zonas rurais, migrantes de outros estados da Federação ou ainda por um remanejamento populacional de outras favelas. A partir de um certo ponto, quando a área disponível já está virtualmente ocupada, seu crescimento passa a ser puramente endógeno ou vegetativo.

Os materiais de construção utilizados são a madeira a alvenaria. O aumento progressivo das construções de alvenaria na presente década está diretamente relacionado com a maior segurança por parte de seus moradores de que não serão removidos.

A favela típica se caracteriza ainda pela ausência de uma infraestrutura urbanística e de serviços públicos. Assim, não existem no seu interior ruas abertas, não existem ademais praças, edificações públicas, meios de transporte coletivo, esgotos pluviais e sanitários. Tampouco existe um comércio, exceto em estado muito rudimentar.

Com o crescimento da metrópole e a construção dos grandes túneis e avenida, as regiões outrora periféricas se transformaram em regiões próximas dos bairros ricos ou de classe média alta e, portanto, valorizaram-se.

A expansão de uma ampla camada de novos-ricos no período imediato ao triunfo do golpe militar, precipitou a escalada dos morros pelas mansões de luxo e intensificou a cobiça dos mesmos e de outras zonas de alta valorização devido à proximidade do Centro ou da Zona Sul. Estavam definidas as razões fundamentais da política de remoções das favelas.

Muitas favelas foram arrasadas, desapareceram literalmente e no seu antigo local surgiram modernos conjuntos habitacionais.

Porém, algumas souberam se defender, outras continuaram seu processo da expansão impulsionado pela incontrolável maré migratória que lançava a cada ano milhares de habitantes na grande cidade.

Desta maneira, a população favelada teve fatalmente de se organizar ou de se agrupar em torno de lideranças locais ou forâneas autênticas ou oportunistas.

O fato é que as associações de moradores tenderam a se estruturar e a se desenvolver como uma força política mais ou menos efetiva.

Até o final da década de 50 a situação das favelas do estado do Rio de Janeiro era de um total abandono.

Em vésperas de eleições seus habitantes eram visitados por políticos, candidatos a cargos eletivos à caça de votos. Então surgiam as promessas e as “realizações”.

Estas “realizações” asseguravam ao político um razoável “curral eleitoral”, pois este se transformava no “protetor” da favela. Além do político as favelas possuem outros protetores :

O padre, figura típica em praticamente todas elas, exerce o papel de mediador, não somente entre os fiéis e a Igreja, como sobretudo entre a população e o Estado nos momentos de conflito;

O bicheiro, o contraventor que utiliza setores da população da favela como um de suas bases para a manipulação de contravenção, pois está é sem dúvida uma fonte adicional de empregos. Devido à sua vinculação com a favela, o “bicheiro” consolida laços de fidelidade com os moradores (sobretudo quando existia a repressão policial ao Jogo do Bicho). Os bicheiros se transformaram nos grandes patrocinadores das escolas de samba e dos blocos carnavalescos – as entidades mais queridas da população pobre do Rio de Janeiro – e, portanto, muitas vezes em controladores dos “currais eleitorais”.

O bandido, ou contraventor-menor (nos últimos anos vem adquirindo uma importância bem maior devido ao tráfico de drogas) – em geral, é um indivíduo que se destaca por um alto coeficiente intelectual e por qualidades inatas de liderança, que em uma sociedade mais justa poderia ter sido um cientista ou líder político – utiliza múltiplas formas de contravenção, forma uma “equipe”, a quadrilha, acumula um certo “capital” e, seja por uma questão sentimental, seja para adquirir a “cobertura do morro”, presta serviços à população favelada (muitas vezes chega até a se expor por ela) e recebe, em troca, o abrigo diante da perseguição da polícia, seja porque a mesma é considerada um inimigo comum, seja pelo temor das represálias da quadrilha.

Os estudantes e intelectuais da esquerda que, a partir do final dos anos 50 e no começo dos 60, começam a subir os morros, dando vazão às suas inquietações diante dos “problemas sociais” para os quais foram despertados pelo avanço do movimento popular.

Esta forma de “proteção” se exercia através da conscientização e da “ajuda” para que os favelados se organizassem, seja no interior da favela, seja no nível do ingresso de suas lideranças nos pequenos partidos de esquerda.

Tal trabalho de conscientização praticamente não obteve resultados a curto prazo, porém representou de certa forma um estímulo para o desenvolvimento de uma liderança mais autêntica nas associações de moradores e, sobretudo, ajudou a colocar na ordem do dia do cenário político nacional a questão das populações urbanas de baixa renda, sensibilizando a opinião pública para a sua situação específica.

Dizíamos acima que o poder público – embora o Rio de Janeiro fosse até 1960 a Capital Federal – não se preocupou seriamente até quase a metade dos anos 60 com a definição de uma política específica que buscasse equacionar a questão das favelas.

Foi a Igreja Católica, sob a liderança do então Bispo do Rio de Janeiro, D. Hélder Câmara, que organizou, ainda nos anos 50, a chamada Cruzada São Sebastião – o padroeiro da cidade – visando organizar as favelas em torno de suas reivindicações fundamentais de casa própria e serviços básicos. Tal campanha tratou de levantar, pela primeira vez, a questão crucial da urbanização destes aglomerados urbanos. Seus êxitos materiais foram limitados.

Quando a Capital Federal foi transferida para Brasília e o Rio de Janeiro se converteu em Governo Estadual, este teve de enfrentar a realidade da favelização de amplos espaços geográficos do Município e de definir então um concepção específica em relação à mesma.

O resultado foi a política de promoção das favelas que passou a ser implementada a partir do Governo Carlos Lacerda, especialmente a partir do golpe de 1964. Foram atingidas durante os governos Lacerda, Negrão de Lima e Chagas Freitas 80 favelas. Tal política tinha como objetivo a recuperação de terrenos valiosos, como já foi destacado antes, e como pretexto a limpeza da urbe dos indesejados “focos de marginais”.

A política de remoção foi executada utilizando-se todos os recursos cabíveis: desde as tentativas de convencimento de que as novas casas eram “modernas” e “definitivas”, até o uso exacerbado da violência policial ou do terrorismo, como o incêndio na favela do Pasmado.

Contudo, tal política foi executada apenas parcialmente. Algumas favelas resistiram à sua remoção, como foi o caso do Vidigal e de Brás de Pina (onde foi efetuada a remoção de apenas um terço dos habitantes e onde posteriormente se tratou de efetuar uma experiência-piloto de urbanização em um terreno contíguo). Outras não chegaram a ser tocadas pela ausência de opção habitacional para seus moradores e, finalmente, muitas novas favelas continuaram a brotar como cogumelos depois das chuvas.

Ao invés de destinar os amplos recursos que foram postos na época à disposição do Governo do Estado do Rio de Janeiro (através de vultosos empréstimos que a médio e a longo prazo comprometiam a soberania do País) na melhoria das condições de vida das populações carentes, os sucessivos governos comandados por empresários e operacionalizados por burocratas civis e militares formularam projetos faraônicos para beneficiar as classes médias e altas e sobretudo para criar fontes adicionais de acumulação de capital para as grandes indústrias e empreiteiras.

As grandes obras de construção – tais como o aterro do Flamengo, a ponte Rio-Niterói, o complexo habitacional da Barra da Tijuca e suas vias de acesso, os novos viadutos elevados, etc., etc., – atraíam a mão de obra barata do interior do estado e de outras regiões do País, acentuando ainda mais o problema da habitação popular.

Neste contexto, era natural que as associações de moradores se desenvolvessem como um instrumento de organização para a autodefesa da população favelada.

Assim, elas tendem a se agrupar em torno da Fafeg – (Federação das Favelas do Estado da Guanabara) que havia sido criada por inspiração principalmente do Governo e dos padres, mas também de estudantes e intelectuais.

Até o final dos anos 70 a atuação das associações de moradores será marcada por uma tônica defensiva, ou seja, a de impedir as remoções, e orientada por uma concepção paternalista de que sua sobrevivência dependia de protetores, sejam eles os padres, os políticos, os bicheiros ou os bandidos…

A partir de 1979, com a abertura política e o processo de democratização que começa a tomar curso no País, e tendo em vista os embates eleitorais que se avizinhavam através das eleições diretas para o Governo do Estado, a segunda administração Chagas Freitas no Rio de Janeiro resolve reorientar a atuação do poder público diante das favelas e passa a reconhecê-las como uma realidade de fato.

Admite-se então que as favelas não seriam mais removidas, porém, não se toma nenhuma providência no sentido de legalizar a propriedade dos lotes. Apenas se faz algumas obras nas periferias das grandes favelas – as que possuem maior concentração de eleitores -, como pavimentação das vias principais de acesso, escadarias, algumas “creches” e “escolas” para crianças.

Diante dessa nova situação, quais serão as tendências de evolução do movimento social dos favelados, liderados por suas associações de moradores?

Segundo Eli Diniz, as “associações foram criadas e regulamentadas, ao longo dos anos 60, expressando uma iniciativa de administração estadual com o objetivo de institucionalizar um canal de comunicação entre as comunidades faveladas e os órgãos competentes. As formas de vinculação das associações de favelas às agências governamentais sofreram algumas modificações através do tempo, prevalecendo, a partir de 1967, a tendência a subordiná-las à supervisão de determinados órgãos, que deveriam aprovar os seus estatutos e relatórios financeiros”. As associações passam a ser, segundo a mesma autora, “canais privilegiados de acesso dessa população ao poder público, em suas instâncias estadual e sobretudo municipal”. Porém, as associações de moradores em suas origens estavam também em geral vinculadas às iniciativas promovidas pela ação católica.

Se bem que hoje em dia é possível encontrar nas favelas uma multiplicidade de pequenos templos que atestam uma ampla variedade de crenças e cultos – e que coexistem com os terreiros de macumba e outras práticas religiosas de origem africana -, tal diversificação jamais chegou a questionar a hegemonia indiscutível da Igreja Católica no campo da fé, apesar da existência de um amplo sincretismo religioso entre os setores populares.

Tal influência desta Igreja junto ao movimento social dos favelados fez com que a evolução do mesmo acompanhasse, de certa forma, a evolução da própria Igreja no Brasil.

Esta evoluiu – pelo menos em seus setores mais significativos, justamente aqueles que mantinham um contato mais permanente com as populações carentes – de uma posição conservadora, e mesmo reacionária, quando nos anos 60 apoiou o golpe de 1964, para uma posição crítica ao sistema capitalista expressada na sua “opção pelos pobres”.

As várias “Pastorais de Favelas” lançadas pelo clero, nos anos 70, buscam fazer reverdecer a sua influência no movimento favelado, protegê-lo da influência dos “pelegos”, através de intensificação da formação das “comunidades de base”. Tais comunidades, organizadas pelos padres, têm como objetivo a conscientização política dos fiéis através da discussão dos problemas locais e nacionais.

Estas comunidades de base ajudaram a conformar todo um clima político democratizante e foram uma das ponta-de-lança da luta pela anistia. Sua evolução lógica foi o engajamento de setores significativos, no final da década de 70 e início de 80, numa opção partidária de cunho eclesiástico; o Partido dos Trabalhadores.

Contudo, no Rio de Janeiro, tal opção foi limitada devido ao reaparecimento no cenário estadual do fenômeno do brizolismo.

Todavia, já nos anos 70, a Igreja não dispunha mais de um controle dominante sobre as lideranças das favelas. Quando se forma a Faferj (Federação das Favelas do Estado do Rio de Janeiro), que é a evolução da Fafeg depois da fusão do antigo Estado da Guanabara, são outras as influências que irão predominar sobre as associações de moradores.

Entre estas se destaca a corrente chaguista (que controle a Faferj I), aquela vinculada ao então Governador Chagas Freitas e que, embora tenha feito apenas pequenas obras de beneficiamento das grandes favelas, logrou cooptar uma quantidade bastante significativa de líderes locais através de concessões e favores pessoais.

O chaguismo controlava a maior parte das associações, porém o candidato opositor ao Governo do Estado, Leonel Brizola, ganhou as eleições com ampla maioria em todas as favelas e regiões pobres.

Havia também, por certo, o controle das associações por parte dos partidos de esquerda atuantes dentro do PMDB. Contudo, como estes partidos se confundiram com o chaguismo por estarem todos reunidos sob o amplo manto do PMDB, os moradores não acompanharam as instruções eleitorais dos dirigentes das associações por eles controladas, optaram pelo PDT de Brizola e, após seu triunfo, aqueles ficaram desprovidos de sua base de atuação, a máquina governamental.

A política do Governo Brizola tem outorgado prioridade às populações de baixa renda e às favelas em particular, de forma sem precedentes na história na história dos sucessivos governos do Rio.

Diante de tal postura, a mobilização comunitária das populações de baixa renda tende a desenvolver-se de forma independente em torno de questões concretas e de relevância fundamental para as mesmas.

Assim, as expectativas dos favelados se concentram nas resoluções das questões de habitação, qualidade de vida, saúde, educação, segurança e transporte, elevando o seu nível de consciência política e social.

À antiga liderança chaguista não resta senão a opção entre ser superada ou superar o seu comportamento anterior.

Nas condições do restrito desenvolvimento político de uma sociedade como a brasileira, recém-saindo de duas décadas de autoritarismo, o líder popular é o indivíduo pragmático. Sobretudo o líder de favela que encabeça uma luta pelos direitos mais elementares de existência e que, contudo, haviam sido sistematicamente sonegados. Este homem sabe que o pouco que se consegue é algo tão substantivo quanto a água, a luz, a escola, o posto médico, o esgoto, a legalização da posse da terra, o meio de transporte, a contenção das encostas para o terreno não desabar sobre as casas. Essas são reivindicações mínimas dos favelados, mas são para eles as questões cruciais.

O favelado, portanto, não quer ser um opositor como os políticos que perdem as eleições ou como os indivíduos conscientes que se guiam por princípios. O favelado quer resolver os seus problemas imediatos, porque deles depende a sua sobrevivência e a de seus filhos.

Por isso, as associações de moradores do Rio de Janeiro enquanto tais, tenderão a apoiar este Governo e apoiarão qualquer futuro Governo que trate de encaminhar a resolução de seus problemas mais essenciais. Ontem foram chaguistas, quando Chagas Freitas resolveu, em seu segundo Governo, pelo menos respeitar a existência das favelas. Hoje são brizolistas quando Brizola executa seu ambicioso programa de urbanização das favelas. Antes não haviam conseguido quse nada, hoje estão conseguindo bastante mais. Amanhã, por certo, não se conformarão jamais que se volte aos métodos do passado e que o poder público desconheça os seus problemas ou trate de desapropriar o que foi conquistado.

É nesta linha de raciocínio que é possível visualizar um grande avanço, uma enorme acumulação de forças por parte do movimento social das favelas, que é prenúncio de uma nova postura política, que jamais poderá ser enquadrada dentro de posturas demagógicas e que tende para o fortalecimento da consciência social, através da percepção dos seus direitos básicos de cidadania.

Esta percepção está calcada sobre uma comprovação empírica de que qualquer Governo pode e deve realizar uma política prioritariamente voltada para a atenção das necessidades fundamentais das amplas maiorias das populações carentes ainda que tal política sacrifique, a curto prazo, outras necessidades, com aquela vinculada ao processo de modernização urbana.

Atualmente existem registradas na Faferj mais de 300 associações de moradores com situação plenamente legalizada segundo registrou seu último congresso. Deve-se destacar que em várias favelas existe mais de um agrupamento representativo de parcelas da comunidade (mais de uma associação, igrejas, escolas de samba, partidos, lideranças informais que capitalizam à sua volta grupos de pessoas tais como “bicheiros”, cabos eleitorais, “contraventores”, etc.) e que já existem mais de 400 favelas no Rio de Janeiro.

Tal situação reflete bem a multiplicidade de posições de seus moradores, bem como as influências que se exercem informalmente sobre a população favelada e que tendem a orientar a sua postura em relação à problemática interna e externa à própria favela.

A favela, como uma microssociedade, abriga em seu seio diferenciações mais ou menos agudas que se expressem em torno de seitas, religiões, partidos políticos, clubes, relações pessoais, etc.

Por isso, é difícil encontrar uma liderança hegemônica e consensual como a da associação de moradores da tradicional favela do Borel. Em geral, as associações são pouco representativas, inclusive pelo fato que foram reprimidas durante o período de autoritarismo e apenas começou o seu processo de reestruturação no segundo Governo Chagas Freitas, a partir de 1979, no contexto da abertura política.

Ora, as associações apoiadas pelo aparato administrativo e eleitoreiro do chaguismo dificilmente teriam as melhores condições de se afirmarem como uma liderança autêntica da comunidade.

Da mesma forma, as lideranças identificadas com a Igreja Católica ou outras igrejas por mais unificadoras que sejam não deixam de refletir uma divisão entre os moradores que passa pela crença religiosa, mas que termina na própria postura política dos administradores da fé.

A questão da representatividade na comunidade favelada é, pois, particularmente complexa e essa complexidade se deve, em última instância, ao nível ainda rudimentar do desenvolvimento da consciência democrática e participativa na sociedade brasileira.

É ilustrativo desta consideração o fato de que ainda é baixa a percentagem de moradores inscritos nas associações, raramente estas são representativas da maioria da população local e a participação da mesma nas assembleias e eleições da diretoria é bastante restrita na maioria das favelas cariocas.

Contudo, os favelados, mais do que qualquer outra comunidade, têm problemas comuns, problemas que são de todos e que, portanto, só podem ser resolvidos coletivamente.

A experiência tem nos mostrado que nos últimos anos e, particularmente no Governo Brizola, as comunidades faveladas que maiores benefícios têm recebido são aquelas que reúnem características: a) uma grande concentração da população; b) um razoável nível de organização e, portanto, maior capacidade de reivindicação e combatividade.

Não é aleatório que grandes e organizadas favelas, como as da Rocinha, Borel, Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, entre outras, têm recebido uma atenção privilegiada do atual Governo do Estado.

Tal constatação conduz a uma conclusão fundamental.

O efeito de demonstração das conquistas obtidas pelas grandes e organizadas favelas tenderá a irradiar-se pelo amplo universo das favelas cariocas e será um forte estímulo para a organização e combatividade da sua população. Assim, é possível prever, para curto ou médio prazo:– o surgimento de novas associações de moradores representativas dos anseios coletivos de melhoria das condições básicas da existência nas favelas;
– uma reestruturação de muitas das atuais associações, devido à pressão dos moradores no sentido de apoiar lideranças mais autênticas e comprometidas com as reivindicações da comunidade enquanto tal;
– devido às conquistas obtidas no curso do atual Governo, produtos da organização e mobilização popular, é bastante viável um maior desenvolvimento da consciência política e social da população favelada, junto à evolução de sua capacidade crítica em relação às influências forâneas instrumentalizadora das carências da miséra destes setores populares.
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