A EDUCAÇÃO VAI MAL
- A educação vai mal! Sim. Falando assim, de pronto, todos concordamos. Mas o quê vai bem no Serviço Público brasileiro? A saúde, vai bem? A segurança, vai bem? A gestão das coisas públicas vai bem, ou estamos assistindo de camarote à privatização do patrimônio público? O que tudo isso significa para cada um de nós, cidadãos contribuintes, financiadores de todo o aparelho publico?
Tantas perguntas, quantas respostas? Nenhuma. Sabem por quê? Tomemos como exemplo a educação: a Constituição de 1988 consagrou-nos o direito à Participação Popular, com o CONSELHO ESCOLA-COMUNIDADE/CEC, para fiscalizarmos a nossa escola e por tabela, a qualidade do ensino prestado por ela. Mas o que acontece com isso? Em todos os segmentos do serviço público há esse dispositivo. No entanto, após a posse da diretoria da escola ela precisa instalar o CEC, para cumprir uma exigência legal. E é nessa hora que aparece o NOSSO PROBLEMA: quem quer participar do CEC? Já ouvi essa pergunta muitas vezes, uma vez que sou pai e avô de estudantes. Inclusive fui conselheiro por umas três vezes, na verdade para ajudar à diretoria das escolas. Muitas vezes fui à secretaria ou à CRE para buscar soluções de problemas da escola que eram atribuições da comunidade. Sabem quantas pessoas foram comigo? Por incrível que pareça, vizinhos que não tinham nada a ver, inclusive nem tinham crianças em idade escolar para usarem a escola. E esse tipo de relacionamento em que eu me envolvi chama-se CLIENTELISMO POLÍTICO, algo que deve ser extirpado de nossa relação com o serviço publico.
Para encurtar a conversa, vamos direto ao ponto: ninguém tem tempo, ninguém quer, ninguém gosta de política etc, essa é a batida. Mas quando a criança é agredida na escola, ou a menina é vítima de algum abuso, acontece uma verdadeira avalanche de valentes defendendo seus direitos, direitos esses legítimos, diga-se de passagem. Mas na hora de atuar junto com a diretoria da escola na busca de soluções para a comunidade escolar, coibir qualquer tipo de transtorno, a indiferença é dominante.
Geralmente, aparecem dedos em riste para o diretor ou para o professor, que nem são autoridades para tratar do assunto. Aí recorrem à justiça. Vão buscar o Conselho Tutelar, citam vários artigos do ECA, ameaçam com cadeia etc, como se isso fosse resolver alguma coisa, uma vez que a justiça não pode encarcerar crianças até 16 anos de idade - com 14 anos pode ser acompanhada pelo juizado, mais nada. E se esquecem de que quando uma criança sofre alguma violência, seja na escola ou não, a família sofre dobrado. Não há quem não entre em pânico.
Mas o que faz a família de uma criança agredida ou de uma menina vítima de violência sexual? Geralmente, se desespera. A minha experiência pessoal tem mostrado que sem a presença da família na comunidade escolar, a escola fica abandonada. Porque professor só está com a criança dentro de sala de aula. Fora dela, é tarefa dos inspetores de alunos. Enquanto está no pátio da escola aguardando a saída, é responsabilidade da escola. Mas aí nos perguntamos: então aonde acontecem os transtornos? Minhas constatações dizem que é no "grupinho de amigos". Porque o sujeito desequilibrado está entre nós, às vezes em nossa família. E na escola, aonde convivem com status de GENTE, aonde desfrutam da proteção da lei, eles se sentem apoiados pra cometer todo tipo de aberração.
Ou seja, problema social nenhum está lá nas instituições, ausente da sociedade, alheio ao cidadão. O problema é de cada um, goste ou não de política. Queira ou não defender seus direitos, sobretudo tendo clareza de que se não se defende, perde em dobro.
Mas então qual é a solução, se a escola não pode se intrometer nisso, se a lei não pode punir, se a sociedade faz vista grossa? Minha sugestão, como pai e avô de estudantes, é que a INTEGRAÇÃO é o melhor caminho. Conhecer-se mais. Conviver, reunir as famílias na escola com algum entretenimento, por exemplo, festas típicas, homenagens, aniversários etc, ou seja qualquer jeito que faça as pessoas se juntarem e se divertirem juntas, enquanto parte uma mesma comunidade. Aí o desajustado se verá cercado, não encontrará vítimas ao seu dispor.
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