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domingo, 27 de abril de 2025

A DESTRUIÇÃO DOS SUS * Movimento Pautas Populares/MPP

A DESTRUIÇÃO DOS SUS
NAO ESTÁ SENDO FÁCIL


Não está sendo fácil
Assistir todo esse cinismo
De uma gente que diz estar fortalecendo o SUS através da sua vergonhosa privatização.
Não está sendo fácil ver uma gente que, nas décadas de 1970 e 1980, participou do movimento pela reforma sanitária brasileira e que hoje se une àqueles que querem a destruição do SUS.
Não está sendo fácil perceber que a esquerda resolveu se unir à direita na realização de um projeto neoliberal para a desconstrução do Estado Democrático e Social de Direito.
Não está sendo fácil observar as interpretações cínicas da nossa Constituição Cidadã de 1988 feitas por aqueles que deveriam protegê-la.
Não está sendo fácil constatar a destruição dos nossos hospitais públicos federais universitários e a precarização do ensino da medicina nesses hospitais e universidades a partir da criação da EBSERH.
Não está sendo fácil ver toda a Administração Pública sendo colocada, aos poucos e de forma progressiva, naquilo que diz respeito à ordem social, submetida à uma gestão privada por via das terceirizacões.
Não está sendo fácil assistir ao projeto de destruição do regime jurídico único e da estabilidade da maioria dos servidores públicos civis do Poder Executivo da União.
Não está sendo fácil observar o projeto de reforma Administrativa que visa destruir a concepção de Estado Social e transformar o Brasil num Estado Neoliberal sem direitos, onde a desigualdade social seja a regra e a injustiça social a sua natural consequência.
Não está sendo fácil constatar a omissão daqueles que deveriam estar no front da luta em defesa da Autonomia Universitária, do SUS, dos direitos sociais dos trabalhadores, da cidadania e da dignidade da pessoa humana, mas que permanecem inertes, cúmplices de todas essas maldades.
Não está sendo fácil assistir em todo o mundo o crescimento da extrema direita fascista, como se a história houvesse sido apagada da mente de todos nós.
Não está sendo fácil ter que conviver com colegas negacionistas da ciência e capturados por uma dissonância cognitiva coletiva, que os deixam afastados da verdade e da razão.
Não está sendo fácil viver em um mundo que promove a cultura das fake news e da desinformação.
Não está sendo fácil ver, como nossos representantes eleitos no Congresso Nacional, uma gente que só defende os seus próprios interesses e os interesses dos donos do capital, fechando os olhos para o interesse público e, por dinheiro e poder, entregar o seu caráter à corrosão.
Não está sendo fácil ver gente defendendo anistia para aqueles que tentaram, por vários meios, um golpe de Estado e a volta da ditadura militar.
Não está sendo fácil assistir a perseguição parlamentar covarde contra o deputado federal Glauber Braga e a tentativa para a sua cassação.
Não está sendo fácil ver todos os dias a hipocrisia na política brasileira.
Não está sendo fácil ser, hoje, médico ou médico veterinário concursado de uma universidade pública federal brasileira e ver que o reajuste salarial concedido este ano pelo atual governo foi a metade do índice concedido à todas as outras carreiras de técnico-administrativos dessas mesmas universidades, configurando uma flagrante inconstitucionalidade, e cuja maldade parece não incomodar os seus respectivos Reitores.
Não! Não está sendo nada fácil. E é por isso mesmo que a luta tem que continuar...

Wladimir Tadeu Baptista Soares
Cambuci/Niterói - RJ
Nordestino
27/04/2025
&
QUEM É VOCÊ HOJE, AFINAL?

Quem é você hoje, companheiro?
Outrora, um líder sindical;
Hoje menospreza os sindicalistas.
Realmente, o sindicato não é dono de nenhum hospital público federal,
Assim como o sindicato liderado por você nunca foi dono de nenhuma indústria automobilística.
Mas quando você era um trabalhador sindicalizado exigia ser ouvido.
São esses servidores públicos, que hoje você desqualifica, que sempre fizeram esses hospitais, a dura penas, funcionarem, trabalhando sobrecarregados (pois há cerca de 20 anos não tem concurso público para esses hospitais), improvisando a todo momento para compensar a falta de materiais e se dedicando com amor aos pacientes e à instituição em que eles trabalham há muitos anos.
Você devia respeitá-los. Mais do que isso, eles não são donos, mas conhecem a fundo esses hospitais, conhecem os seus problemas e sabem a solução. E a solução não está, de modo algum, na gestão privada desses hospitais, mas sim na gestão pública, da autoridade sanitária de cada ente da federação. A solução está na abertura de concurso público para a contratação de servidores públicos estáveis, estatutários. A solução está na valorização desses servidores pagando um salário digno dos servidores públicos do SUS - aqueles que durante a pandemia pelo Covid-19, as pessoas chamavam de "heróis". O salário pago a esses servidores é humilhante. Procure saber quanto ganha cada categoria de servidores públicos das areas da saúde do Ministério da Saúde. É uma vergonha. Hoje você não trabalharia por esse salário.
Mas hoje você procura desqualificar a voz sindical.
Você está destruindo o maior sistema público universal de saúde do mundo, passando toda a sua gestão para entidades privadas do terceiro setor ou para empresas públicas com personalidade jurídica de direito privado, pondo fim à carreira pública estatutária no ambiente do SUS.
E está cercado de uma gente que mudou de lado e hoje reza na cartilha neoliberal.
Que vergonha! Quanto retrocesso! Quanta maldade com os servidores públicos do SUS! Quanta covardia contra a sociedade!
Você criou um monstro chamado EBSERH, que destruiu todos os nossos hospitais públicos federais universitários e tornou precária a formação médica no nosso país.
Você está acabando com a estabilidade dos servidores públicos, retrocedendo aos anos anteriores à Constituição Cidadã de 1989, quando o nepotismo, o clientelismo, o patrimonialismo e o aparelhamento político de toda a Administração Pública era uma triste realidade.
Você não está respeitando a nossa Constituição, ao conceder ajustes (aumentos) salariais com índices diferenciados para as diversas categorias profissionais de servidores públicos do Poder Executivo da União. E está fazendo ainda pior: dentro de uma mesma instituição publica federal (Universidade públicas), está agindo covardemente contra os médicos e médicos veterinários, ao conceder a eles um ajuste salarial de 4,5%, enquanto que para todos os outros servidores públicos técnicos administrativos dessas mesmas universidades públicas federais, o ajuste salarial está sendo de 9%. Em que lugar da nossa Carta Magna está escrito que isso é possível? Isso é flagrantemente inconstitucional, companheiro. E isso pode ser considerado crime de responsabilidade.
Você está muito mal assessorado politicamente.  As pessoas que estão próximas de você estão mentindo para você, e você está acreditando nelas.
Você abandonou o ideal socialista e abraçou com vontade o capitalismo neoliberal, e está dando prosseguimento à "Ponte para o Futuro" do Temer, Renan Calheiros e Paulo Guedes, mantendo, inclusive, aquela granada no bolso dos servidores públicos federais.
Faça uma reflexão sobre essas questões. Tenha a coragem de ser humilde e reconheça que você está trilhando o caminho da direita.
Mas você parece não saber o que significa, de fato, uma municipalização dos hospitais públicos federais. Significa que a prefeitura vai terceirizar essa gestão para alguma OS, OSCIP, OSC, ONG - todas entidades do setor privado, cujo interesse público só existe na lei, mas não no mundo real da vida.
Você está destruindo o SUS  - o maior programa de inclusão social do planeta Terra. PPP e PPI não são solução para o SUS, assim como também não são solução a EBSERH e o Complexo Hospitalar Conceição. Ao contrário do que estão te dizendo e você acredita, todas elas são uma forma de precarização da saúde pública brasileira.
Acorda, companheiro! A sua biografia está sendo manchada com essas ações do seu governo de transformar todo o SUS em uma grande empresa com personalidade jurídica de direito privado.
Aprenda, companheiro! O SUS só tem como dar certo sob o regime jurídico administrativo constitucional de diteito público, porque o SUS nasceu para existir sob gestão pública direta, e não sob um modo privado de existir.
Lamento muito que você esteja fazendo toda essa maldade. É uma pena! Mas ainda é possível mudar. Pense nisso e chame os servidores públicos federais estatutários para uma conversa franca. Você tem muito a aprender com eles.

Wladimir Tadeu Baptista Soares
Cambuci/Niterói - RJ
Nordestino
wladuff.huap@gmail.com
06/02/2025

LULA E AS PRIVATIZAÇÕES
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sexta-feira, 16 de agosto de 2024

1ª Conferência Livre Nacional da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde de Gestão do Trabalho, Educação e Saúde * Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde

1ª Conferência Livre Nacional da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde de Gestão do Trabalho, Educação e Saúde
 Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde

Olá, companheiros(as)(es) !


Gostaríamos de lembrar que no dia 17 de agosto das 14h às 18h30min a FNCPS realizará a 1ª Conferência Livre Nacional da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde de Gestão do Trabalho, Educação e Saúde: Fortalecendo a Participação Social Contra a Privatização da Saúde, um evento importante para discutir questões fundamentais relacionadas à política de saúde mental.

Para que todos(as)(es) estejam bem preparados(as)(es) e informados(as)(es) sobre o que será abordado, compartilhamos em anexo, o Documento Orientador e as Propostas de Diretrizes que nortearão nossas discussões.

Aqui está o link para acessar a conferência, e pedimos a gentileza de compartilhá-lo apenas com aquelas pessoas que estão devidamente inscritas.

Link da videochamada: 

Sua colaboração é fundamental para o sucesso deste evento.

Contamos com a participação de todos(as)(es), pois juntos(as)(es) podemos fortalecer a saúde pública, estatal, gratuita, laica, de qualidade e contra todos os processos de mercantilização, terceirização e privatização da saúde que ameaçam nosso sistema único de saúde.



DOCUMENTO ORIENTADOR DA FRENTE NACIONAL CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE PARA AS CONFERÊNCIAS DE SAÚDE RUMO À 4ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE - 2024

A Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde (FNCPS) é uma frente suprapartidária, de esquerda e anticapitalista, criada em 2010 e composta por diversas entidades, fóruns e frentes estaduais e/ou municipais, movimentos sociais, organizações populares, sindicais e sociais, entidades estudantis e profissionais, partidos políticos, projetos de extensão universitários, trabalhadores/as da política de saúde, usuários/as/es e militantes da área da saúde, da educação e da seguridade social públicas.

A FNCPS se constitui a partir das lutas contra asdiversas formas de privatização da saúde no contexto dos chamados novos modelos de gestão privatistas representados pelas Organizações Sociais de Saúde (OSSs) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs); pelas propostas das Parcerias Público-Privadas (PPPs) e

Fundações Públicas de Direito Privado (FPDPs); e pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) que promovem a entrega de patrimônio, bens, serviços, servidores/as e recursos públicos para entidades privadas ou com personalidade jurídica de direito privado como é o caso destas duas últimas.

Como se propõe desde sua criação em 2010, estaFrente se consolida como um potente instrumento de articulação das lutas da resistência contra os processos de mercantilização e privatização da saúde, e tem como objetivo a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) público, estatal, gratuito, universal, laico e popular, conforme preconizado pela Reforma Sanitária formulada nos anos 1980, importante movimento

social que teve protagonismo na criação do SUS, além do fortalecimento da Reforma Psiquiátrica e seus avanços numa perspectiva interseccional de classe, raça, gênero, geracional e orientação sexual.

Em 2024, a 4ª Conferência Nacional de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde se realiza em um importante momento de defesa da democracia, dos princípios do SUS, da valorização das suas trabalhadoras e trabalhadores e da educação na saúde comprometida com os enfrentamentos da determinação social da saúde. Isto porque estamos em uma conjuntura marcada pela expressiva disputa de projetos societários bem distintos que, apesar da derrota eleitoral da extrema direita à presidência da república ter se dado nas urnas, esta continua mobilizando a sociedade e influênciando as decisões do Congresso Nacional, emplacando suas pautas ultraneoliberais, fundamentalistas, conservadoras e de destruição da natureza em função do lucro.

Nesse contexto, a luta em defesa do SUS vem junto à luta contra as políticas neofascistas, negacionistas, ultraneoliberais e de disseminação sistemática, por meio de notícias falsas (fake news), de visões ideológicas individualistas, antissociais, conservadoras, desumanas, moralistas, racistas, machistas-misóginas, homofóbicas, armamentistas e anticivilizatórias. As práticas desses sujeitos políticos mantêm-se na lógica da devastaçãodo setor público, dos direitos sociais, humanos e trabalhistas, da destruição

socioambiental e do ataque aos direitos dos povos originários beneficiando os setores dominantes sob a égide do capitalismo.

As mudanças climáticas são expressões da forma predatória desses interesses sobre a natureza e a vida, a exemplo dos eventos ocorridos recentemente no Rio Grande do Sul, da seca na Amazônia e do fogo no Pantanal. Os saberes dos povos tradicionais têm muito o que ensinar à preservação da biodiversidade do meio ambiente, por isso

precisam ser incorporados à educação na saúde para salvar o planeta. Além disso, o racismo, a LGBTfobia e violência contra a mulher e as crianças têm sido reiterados pelo projeto societário dos neofascistas. A expressão atual mais vil deste projeto é o PL 1904/2024 que pune crianças e mulheres vítimas de estupro ao equiparar aborto a homicídio e cuja pena seria maior do que a dos próprios estupradores. A mobilização social nas ruas “criança não é mãe, estuprador não é pai” foi a resposta a este projeto criminoso, mas não basta adiar a votação do PL, queremos o arquivamento deste retrocesso civilizatório, bem como dos demais projetos em curso nesta direção. O aborto legal é uma questão de saúde pública e a rede de serviços de referência para o abortamento legal no SUS precisa ser expandida.

Na área da saúde, esse projeto societário se expressa através dofortalecimento do projeto privatista que tem nasaúde uma fonte de lucro e a pretensão da total submissão do SUS ao mercado, junto ao aprofundamento da exploração da força de trabalho.

Diante desta realidade, nesta 4ª Conferência, é central a defesa do adequado financiamento do SUS, exclusivamente para o setor público, e da desprecarização do trabalho em saúde. Assim, chamamos a atenção para o compromisso do atual governo com as metas fiscais estabelecido no “Novo Arcabouço Fiscal” (Lei Complementar nº 200/2023) que vem ameaçando o piso constituconal da Saúde e da Educação que são conquistas sociais, o que vai implicar no desfinanciamento destas políticas. Não vamos permitir que o SUS seja objeto desta medida austericida que favorece o mercado e prejudica o povo. Nem tampouco vamos permitir que as diversas formas de precarização do trabalho em saúde que estão em curso, como a pjotização, vínculos informais e instáveis, jornadas prolongadas, baixas remunerações, entre tantas, se estabeleçam no SUS nas três esferas de governo, pois a precarização dos serviços de saúde está

diretamente relacionada à precarização do trabalho em saúde. A educação na saúde numa perspectiva popular e emancipatória pode ser um instrumento forte para barrar estes processos e fortalecer o SUS universal, laico, público, estatal e sob controle popular.

Desde o início de sua implementação, o SUS vem passando por processos políticos, gerenciais e financeiros que apontam para sua descaracterização, sendo a privatização da saúde uma das faces mais perversas desse fenômeno. Diante disso, a FNCPS defende que o atual governo de Lula, bem como quaisquer outros a vir posteriormente, devem se comprometer com ofortalecimento do Sistema Único de Saúde, enfrentando o seu sub/desfinanciamento e a histórica sabotagem do seu caráter público e universal, que tem impedido sua plena consolidação e a prestação de serviços com a qualidade e a celeridade que a sociedade necessita. Essa sabotagem tem sido realizada pelo setor privado, oqual lucra com a saúde e usufrui dos recursos públicos, com apoio do Estado.

É necessário restaurar a radicalidade dos primórdios do Movimento da Reforma

Sanitária e da Reforma Psiquiátrica Brasileira: defender a Saúde Pública, Universal, Estatal, Gratuita, Laica,em oposição à saúde como mercadoria e fonte de lucro; a defesa da estatização da saúde e da alocaçãoexclusiva de recursos públicos para a ampliação da rede pública de serviços nas três esferas de governo;e a perspectiva da saúde a partir de seu conceito dedeterminação social.

As tentativas de conciliar o setor público com o privado foram fracassadas ao longo dos anos, pois alógica inerente ao setor privado é a mercantil, enquanto a lógica do setor público é a de atender àsnecessidades em saúde da população. Nesse sentido, a perspectiva da FNCPS é a de garantia do direito à saúde a partir de sua estatização, sem a presença do setor privado por dentro do SUS. Nesta direção, a FNCPS reforça as propostas que tem defendido como estratégias essenciais para a defesa do Sistema Único de Saúde:

• Reverter, para a gestão pública e estatal, os processos de privatização do SUS em curso que capturam o fundo público da saúde, realizados por meio dos modelos privatizantes de gestão – Organizações Sociais (OSs), Fundações Estatais de Direito Privado, EBSERH e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs).

• Defender os Hospitais Universitários ligados àsinstituições públicas de ensino superior, com a retirada da gestão por meio da EBSERH, fundações e OSs. Nesse processo, dois pontos devem ser considerados: não provocar descontinuidade dos serviços, nem prejudicar trabalhadoras e trabalhadores. Também é necessário reverter a crescente contratualização de serviços hospitalares privados, ampliando e fortalecendo a rede pública de média e alta complexidade.

• Fortalecer a Atenção Primária em Saúde como aordenadora dos serviços de saúde, com a expansãoda cobertura da Estratégia Saúde da Família acompanhada do devido financiamento e ampliação do quadro de trabalhadoras/es por meio de concurso público (Regime Jurídico Único). Para isso é crucial a extinção: da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) que substituiu a Agência para o Desenvolvimento da Atenção Primária à Saúde (ADAPS) por meio da Lei nº 14.621/2023; a revogação da Portaria nº 2.436/2017, que aprovoua Política Nacional de Atenção Básica,estabelecendo a revisão de diretrizes para aorganização da Atenção Básica.

• Implementar um modelo de atenção à saúde que realize a prevenção, a promoção e a recuperação da saúde e garanta o acesso universal com serviços de qualidade, priorizando a atenção primária comretaguarda na média e alta complexidade, baseado nas necessidades em saúde da população. Para isso é preciso romper com o modelo biomédico e mercantil, centrado na doença e subordinado aos interesses lucrativos da indústria de medicamentose equipamentos hospitalares.

• Fortalecer a Reforma Psiquiátrica e a Luta Antiproibicionista, bem como a expansão e a reformulação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), revogando os documentos normativos, dentre portarias, resoluções,

decretos e editais publicados a partir de dezembro de 2016, como o Decreto 9.761/2019, que instituiu a nova Política Nacional Sobre Drogas, a qual faz parte do que o Ministério da Saúde veio a chamar de “Nova Política Nacional de Saúde Mental”, a qual promoveu alterações e retrocessos na RAPS, rompendo com a política de Redução de Danos e os princípios da Reforma Psiquiátrica e assumindo uma lógica manicomial de institucionalização, aumentando o financiamento de leitos psiquiátricos e das Comunidades Terapêuticas (CTs). Também propomos a extinção dessas instituições, bem como do Departamento de Entidades de Apoio e Acolhimento Atuantes em Álcool e Drogas, criado no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome em apoio às CTs, especialmente por compreendermos tais Comunidades como uma ameaça fundamentalista à oferta de um direito que deveria ser assegurado e ofertado pelo Estado brasileiro respeitando-se a laicidade, liberdade, a diversidade dos sujeitos. Nos colocamos em apoio aos Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) em curso na Câmara Federal que visam extinguir esse Departamento. E nos posicionamos pela reestruturação da Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde.

• Enfrentar o sub/desfinanciamento do SUS e das demais políticas sociais, que se aprofundou com a Emenda Constitucional nº 95/2016, que congelou os gastos sociais por 20 anos. Ressaltamos que apesardo “novo arcabouço fiscal” (Lei Complementar nº 200/2023) flexibilizar o “teto dos gastos”, ainda mantém sua lógica que impede a recomposição dos orçamentos e sua ampliação para efetivamente atender as demandas sociais. Alertamos para a aposta arriscada desse “novo arcabouço” fundamentado no crescimento da receita e da economia em um alto patamar que, caso não se realize,

continuará o subfinanciamentoou o desfinanciamento da saúde pública. Para tanto, não podemos permitir que sejam suprimidos os Pisos da Saúde e da Educação em função da política de austeridade fiscal que capitaneia o novo “calabouço” fiscal (LC 200/23). Acabar com a Desvinculação de

Receitas da União (DRU) que retira 30% do Orçamento da Seguridade Social para outros fins e enfrentar o histórico subfinanciamento do SUS com a suspensão dos subsídios públicos, isenções e medidas de apoioao setor

privado/filantrópico e aos Planos Privadosde Saúde é uma urgência. • Garantir um maior aporte de recursos para o SUS e para as demais políticas sociais, pela taxação de grandes fortunas e pela auditoria da dívida pública para o uso social dos recursos e financiamento efetivo do sistema de proteção social brasileiro.Esperamos que a proposta tributária em tramitação no Congresso Nacional de fato garanta uma política fiscal distributiva e progressiva.

• Alcançar um mínimo de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Saúde, garantindo o investimento público e o financiamento exclusivo da rede pública estatal de serviços de saúde.

• Lutar pela realização de concursos públicos pelo Regime Jurídico Único

(RJU) e da carreira pública de Estado para pessoal do SUS e contra todas as formas de precarização do trabalho. Por reajustes salariais dignos e política de valorização do(a) servidor(a), isonomia salarial, estabilidade no trabalho, e implantação de Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Pela eliminação do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal para despesa com pessoal na saúde e na educação.

• Criação de uma política nacional de formação de recursos humanos para o SUS que direcione a formação da residência multiprofissional em saúde como reordenadora do modelo de atenção à saúde, de modo que combata a centralidade da concepção de saúde biomédica e o modelo de atenção à saúde privatista, incorporando a categoria médica nos respectivos programas multiprofissionais e formando profissionais de saúde orientados pelos princípios, diretrizes e objetivos do SUS, em todos os

níveis de atenção. Defesa do ensino exclusivamente presencial nas Graduações e no nível técnico da área da saúde.

• Implementar ações, cursos e formações de Educação Popular em Saúde no âmbito do SUS, contribuindo com a participação popular, a gestão participativa, o controle social, o cuidado, e com a formação e práticas educativas em saúde condizentes com o preconizado na Política Nacional de Educação Popular em Saúde.

• Pelo fim da permissão da entrada de capital estrangeiro na oferta de serviços de assistência à saúde proposta no Projeto de Lei 1.721/2015, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB), no qual trata do tema.

• Pela criação da Renda Básica permanente para famílias de baixa renda, em forma de Lei, tendo em vista o quadro de aumento da fome, do desemprego e de agravamento das condições de vida de parte significativa da população brasileira.

• Garantir amplos direitos reprodutivos às mulheres, com acesso aos serviços pelo SUS. Pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito. Pelo arquivamento do PL 1904/24.

• Revogar a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência Social e o Novo Ensino Médio.

• Extinguir a proposta de Reforma Administrativa (PEC 32/2020) que retira direitos trabalhistas e pode significar a perseguição de servidores(as) públicos(as) e a privatização dos serviços estatais.

• Imediato licenciamento compulsório de insumos,medicamentos, vacinas e todas as tecnologias contra a Covid-19 e situações emergenciais. • Fortalecimento da capacidade produtiva doslaboratórios públicos estatais; Efetivação de Programas de desenvolvimento de tecnologias nacionais para produção interna de insumos farmacêuticos ativos, medicamentos, vacinas e demais insumos para a saúde com base nos grupos de pesquisa dos institutos, laboratórios e universidades públicas. Não ao financiamento público para multinacionaise empresas oligopolistas nacionais de insumos.

Prioridade de compras públicas de insumos para os laboratórios públicos. Programas de financiamento para reequipamento da rede pública, não a subsídios para expansão de serviços do setor privado.

• Garantir o ressarcimento ao SUS, de forma atualizada, como instrumento de regulação das operadoras de planos de saúde, com agilidade, rigor e como política prioritária da Agência Nacional de Saúde Suplementar.

• Fortalecer o controle social na perspectiva da defesa dos interesses da classe trabalhadora, comoespaços vigorosos de lutas sociais em defesa do SUS universal, público, gratuito, estatal, laico e dequalidade, bem como dos demais direitos sociais.

• Reverter todas as medidas de flexibilização das leis de proteção socioambiental aprovadas durante os últimos governos (2016-2022) e impedir a aprovação das que estão em curso, pois saúde é resultante da preservação do meio ambiente. Além da defesa dos direitos dos povos originários e pela proteção dasterras indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Contra o Marco Temporal.

• Pelo fim do massacre que dilacera perenemente o povo palestino nessa histórica luta de expropriação de seus territórios levada adiante pelo Estado sionista de Israel. Palestina livre!

Diante do exposto, a luta em defesa do SUS e pela vida é a luta para superar o modo de produção capitalista que se reproduz baseado na exploração do trabalho, na desigualdade social e na captura do fundo público. A luta pela saúde é a luta pelo enfrentamento da determinação social doprocesso saúde e doença gerado pela sociedade capitalista. É a luta pela transformação dasociedade e pelo fim da desigualdade social e econômica para que todas as pessoas tenham condições dignas de vida. Portanto, se trata de uma luta anticapitalista, antirracista, antimanicomial, antiproibicionista, feminista, antimachista, antiLGBTQIAPN+fóbica, ecossocialista,anticapacitista, antietarista, e pela construção de uma sociedade emancipada, sem divisão de classes, contra toda forma de opressão e de exploração.

Agora é momento de reunir toda nossa força e energia para a construção das Conferências Livres e da 4ª Conferência Nacional de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.

A PRIVATIZAÇÃO E A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO FAZEM MAL À SAÚDE!

VIVA O SUS!

O SUS É NOSSO, NINGUÉM TIRA DA GENTE,

DIREITO CONQUISTADO

NÃO SE COMPRA, NEM SE VENDE!SAÚDE NÃO É MERCADORIA!
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PROPOSTAS E DIRETRIZES - CONFERÊNCIA LIVRE DE GESTÃO DO TRABALHO E EDUCAÇÃO EM SAÚDE DA FNCPS

“Fortalecendo a Participação Social Contra a Privatização da Saúde” REGRAS DA CONFERÊNCIA: Cada eixo deve ter 1 Diretriz e até 3 propostas

Etapas de construção do documento:

1ª etapa: levantamento no documento orientador da FNCPS de propostas historicamente construídas, que caberiam nesta temática de conferência, conforme cada eixo; 2ª etapa: Sugestão de propostas realizadas pelos membros do colegiado da FNCPS, conforme cada eixo (disposta em quadro);

3ª etapa: Sugestões de propostas, conforme eixo, submetidas pelo formulário de inscrição na conferência pelos participantes que assim desejarem até dia 25 de julho (tempo hábil para organização deste documento).

EIXO, DIRETRIZ E PROPOSTAS:

Eixo I - Democracia, controle social e o desafio da equidade na gestão participativa do trabalho e da educação na saúde;

Diretriz: Reverter a privatização do SUS, garantindo gestão pública, 100% estatal, sob comando dos/as trabalhadores, fortalecendo o controle social, com financiamento efetivo de 10% do PIB, para assegurar um SUS laico, gratuito, de qualidade e para todas as pessoas.

PROPOSTAS PERMANENTES DA FRENTE

Propostas:

● Reverter totalmente os processos de privatização do SUS em curso, que capturam o fundo público da saúde, realizados por meio dos modelos privatizantes de gestão - Organizações Sociais (OSs), Fundações Estatais de Direito Privado, EBSERH, Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) - para a gestão pública e estatal, garantindo a não descontinuidade dos serviços, sem prejudicar trabalhadoras e trabalhadores, além da reversão da crescente contratualização de serviços hospitalares privados, ampliando e fortalecendo a rede pública de média e alta complexidade, defendendo o SUS público, estatal, sob a administração direta do Estado, gratuito, de qualidade e para todos e todas.

● Lutar contra a proposta de flexibilização do piso constitucional para a Saúde. O art. 198 determina que a União deve repassar à saúde, anualmente, não menos do que

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15% da receita corrente líquida, enquanto as regras limitadoras do "Novo Arcabouço Fiscal" (Lei Complementar nº 200/2023) limitam as despesas primárias à variação da receita na proporção de 70%, desde que as metas fiscais tenham sido cumpridas, ou 50% caso estas metas não tenham sido cumpridas no exercício financeiro do ano anterior. Com o propósito de alcançar as metas fiscais estabelecidas para os anos 2024, 2025 e 2026, o atual governo Lula-Alckmin tem ameaçado reformular este piso, assim como os 18% da receita líquida dos impostos para educação, determinados pelo art. 212 da CF.

● Promover o financiamento adequado do SUS e da educação, a partir da garantia dos repasses anuais estabelecidos pelos pisos constitucionais, bem como revogar as políticas de austeridade fiscal de desfinanciamento da saúde, tais como a Lei Complementar Nº 200/2023 que instituiu o novo arcabouço fiscal, novo nome para as políticas monetárias dominantes na Emenda Constitucional. Ademais, promover a suspensão imediata do pagamento dos juros da dívida pública, direcionando esses recursos para fortalecer o SUS e melhorar seus serviços.

● Fortalecer o controle social e a participação comunitária, a partir da capacitação dos conselheiros municipais de saúde por meio de uma formação política comprometida com a classe trabalhadora, assegurando que possam desempenhar um papel efetivo no controle das políticas de saúde local, na perspectiva da defesa das lutas sociais em defesa do SUS universal, público, gratuito, estatal, laico e de qualidade, e dos demais direitos sociais. Assim, como a criação de Conselhos Municipais de unidades e locais de saúde em cada área de abrangência das Unidades Básicas de Saúde, na média e alta complexidade, promovendo maior envolvimento da população nas decisões de saúde do seu território.

Eixo II - Trabalho digno, decente, seguro, humanizado, equânime e democrático no SUS: uma agenda estratégica para o futuro do Brasil;

Diretriz: Contra todas as formas de precarização do trabalho decorrentes da privatização, terceirização e quarteirização, garantindo trabalho digno, decente, seguro, humanizado e equânime no SUS, como uma agenda estratégica para o futuro do Brasil.

PROPOSTAS PERMANENTES DA FRENTE

Propostas:

1) Realizar concursos públicos pelo Regime Jurídico Único (RJU) e da carreira pública de Estado para pessoal do SUS e contra todas as formas de precarização do trabalho, garantindo reajustes salariais dignos e política de valorização do (a) servidor (a), isonomia salarial, estabilidade no trabalho, e implantação de Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e pela eliminação do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal para despesa com pessoal na saúde e na educação. Adicionalmente, propomos a criação de Comitês Estaduais de Equidade, focados na promoção da igualdade de gênero, raça, etnia e na valorização dos profissionais de saúde em todas as esferas do sistema.

2) Implementar um modelo de atenção à saúde que realize a prevenção, a promoção e a recuperação da saúde e garanta o acesso universal com serviços de qualidade,

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priorizando a atenção primária com retaguarda na média e alta complexidade, baseado nas necessidades em saúde da população. Para isso é preciso romper com o modelo biomédico e mercantil, centrado na doença e subordinado aos interesses lucrativos da indústria de medicamentos e equipamentos biomédicos.

3) Criação de uma política nacional de formação crítica de trabalhadores para o SUS, que direcione a formação contra a privatização da saúde e na perspectiva da saúde coletiva e multiprofissional como reordenador do modelo de atenção à saúde, de modo que combata a concepção de saúde biomédica e o modelo de atenção à saúde privatista, formando profissionais de saúde orientados pelos princípios, diretrizes e objetivos do SUS, em todos níveis de atenção.

4) Pela revogação das contrarreformas da previdência (1998, 2003 e 2019) que retiraram direitos previdenciários das/os trabalhadoras/es.

Eixo III - Educação para o desenvolvimento do trabalho na produção da saúde e do cuidado das pessoas que fazem o SUS acontecer: a saúde da democracia para a democracia da saúde;

Diretriz: Promover a educação histórico-crítica e de qualidade para o desenvolvimento do trabalho na produção da saúde e do cuidado, valorizando as pessoas que impulsionam o SUS.

Propostas:

1) Garantia de uma formação pautada nos princípios do SUS - universalidade, integralidade, equidade, descentralização, regionalização, hierarquização e participação social - e nos contextos sócio-culturais. Desenvolvendo e ampliando políticas de saúde pública, estatal e gratuita junto às comunidades periféricas, tradicionais e populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas, ciganas, de pescadores, assentados, imigrantes, entre outras, com o objetivo de valorizar seus saberes e ciências tradicionais e ancestrais, considerando as diferenças e especificidades culturais de cada povo garantindo a equidade e o Bem Viver.

2) Garantir a aprovação do PL504/2021 para regulamentar as residências em saúde e reduzir a carga horária das residências multiprofissionais de 60 para 44 horas semanais, sem redução na bolsa-salário, com auxílio alimentação, moradia e transporte. É fundamental vincular as residências a instituições públicas e gratuitas do SUS para evitar a mão de obra barata no “mercado da saúde” e revogar a portaria interministerial que estabeleceu a conformação da CNRMS que excluiu a participação social dos Fóruns de Residências que a integravam. Fortalecer as residências em saúde como estratégia de formação e empregabilidade no SUS, reduzindo a carga horária e garantindo condições dignas aos residentes.

3) Garantir a integração ensino-serviço-comunidade no SUS como espaço de aprendizagem, qualificando preceptores e estabelecendo incentivos para instrução de estudantes, além de inseri-los na tomada de decisões e avaliação das políticas públicas de saúde, dando voz e fortalecendo a resistência à mercantilização da saúde pelos futuros profissionais que atuarão na área.

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4) Implementar ações, cursos e formações de Educação Popular em Saúde no âmbito do SUS, contribuindo com a participação popular, a gestão participativa, o controle social, o cuidado, e com a formação e práticas educativas em saúde condizentes com o preconizado na Política Nacional de Educação Popular em Saúde. Promover a transparência e democratizar o acesso à informação em saúde. Isso implica democratizar as informações sobre educação popular em saúde, assegurando que todos os usuários do SUS tenham acesso efetivo ao controle social do SUS.


sexta-feira, 21 de junho de 2024

EBSERH: DNA LULA/HADDAD * SINTUFSC/Wladimir Tadeu Baptista Soares/RJ

EBSERH: DNA LULA/HADDAD

Este ano, a EBSERH completa 8 anos na UFSC. A decisão pela adesão a essa empresa pública para gerir o Hospital Universitário marcou um triste capítulo da história da UFSC já que, mesmo com a participação massiva da comunidade acadêmica que se posicionou contrária a essa adesão em plebiscito, a decisão foi tomada a portas fechadas em uma sessão do Conselho Universitário que aconteceu na Academia da Polícia Militar.

A realidade local, assim como a nacional, evidencia os diversos problemas e desafios enfrentados pelos hospitais universitários sob esta gestão. Nesse sentido, para entender os impactos da EBSERH nos Hospitais Universitários e na saúde pública, convidamos o professor Wladimir Tadeu Baptista Soares, advogado e docente de medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF), estudioso da área e defensor do SUS e dos direitos dos trabalhadores.

Estendemos o convite aos trabalhadores da UFSC, em especial do HU, à comunidade acadêmica, aos profissionais da saúde e aos movimentos sociais que defendem o SUS 100% público para participarem desta atividade.

Será fornecida declaração de participação para os interessados.

Data: 24/06/2024
Horário: 10h
Local: Tenda da Greve em frente à reitoria da UFSC

segunda-feira, 17 de junho de 2024

LULA PRIVATIZA O INCA * Movimento Pautas Populares/MPP.RJ

LULA PRIVATIZA O INCA
Mais um hospital público, o INCA, vai para uma parceria público-privada. Tudo isto confirma o prosseguimento do que dita o Banco Mundial no sentido da destruição do SUS universal como está na constituição e a “focalização” dos serviços públicos deixando para a iniciativa privada os hospitais de alta complexidade. Isto interessa à indústria de equipamentos médicos, à indústria farmacêutica e as seguradoras de saúde que dominarão esses hospitais. É a denominada “publicização” da saúde entregando a gerência dos hospitais de alta complexidade para entidades de direito privado (EBserh, PPPs, PPIs e outras formas de privatização disfarçadas).
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"EDITAL DOU

Presidência da República
Casa Civil
Secretaria Especial para Assuntos Jurídicos




Dispõe sobre a qualificação do projeto de criação do Campus Integrado do Instituto Nacional de Câncer no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República.


O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, caput, incisos IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 1º, § 1º, inciso I e no art. 4º, caput, inciso II, da Lei nº 13.334, de 13 de setembro de 2016, e na Resolução nº 298, de 22 de fevereiro de 2024, ad referendum do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República,

DECRETA:

Art. 1º Fica qualificado, no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República – PPI, o projeto de criação do Campus Integrado do Instituto Nacional de Câncer – INCA, para fins de apoio à estruturação de estudos de parceria público-privada para serviços não assistenciais, com vistas à sua modernização e à adaptação de suas instalações para a melhoria da assistência prestada ao público.

Art. 2º A qualificação confere à Secretaria Especial para o Programa de Parcerias e Investimentos da Casa Civil da Presidência da República a autorização para, dentre outras ações:

I - acessar os documentos, os estudos e os demais materiais referentes ao projeto qualificado que estejam disponíveis ou que tenham sido elaborados pelo Ministério da Saúde, inclusive aqueles enviados pelo agente estruturador contratado, respeitados os níveis de restrição e a confidencialidade que possam ser aplicados a cada documento;

II - participar de reuniões do INCA com o agente estruturador contratado, durante a fase de estruturação do projeto; e

III - acompanhar todas as fases do projeto, desde a assinatura contratual, incluídas as fases de implementação e operação do projeto em períodos diversos, até a extinção do contrato de concessão.

Parágrafo único. O Ministério da Saúde, com a qualificação do projeto, proporcionará o acesso integral da equipe da Secretaria Especial para o Programa de Parcerias e Investimentos à documentação de que tratam os incisos I a III do caput e incluirá a referida equipe nas fases do projeto indicadas.

Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 13 de junho de 2024; 203º da Independência e 136º da República.

GERALDO JOSÉ RODRIGUES ALCKMIN FILHO
Rui Costa dos Santos"

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Carta de Brasília * Frente Única dos Hospitais Universitários/FUHU

Carta de Brasília


Nos dias 02 e 03 de outubro de 2023, na Universidade de Brasília (UnB), reuniram-se dezenas de trabalhadores de hospitais universitários do país inteiro. E num intenso debate, abriu-se um espaço para a troca de experiências do dia a dia de trabalho super precário dentro dos Hospitais Universitários (HUs), particularmente após a cessão desses hospitais para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), onde perdemos colegas e familiares, e sobrevivemos a uma terrível pandemia Este momento

histórico da COVID-19 mostrou mais ainda nossa firmeza, amor pela profissão e o reconhecimento pela sociedade

Infelizmente, os aplausos recebidos e tão divulgados pela mídia não se transformaram em investimento, em melhores condições de trabalho e salários dignos. Passado esse período, seguiu a velha realidade das políticas governamentais de natureza neoliberal, que enxerga a saúde (e a educação) como uma mera mercadoria. Lobbys farmacêuticos e projetos de destruição do SUS para favorecer a grande máfia dos planos de saúde privado continuam a todo vapor.

Tudo indica que, com a aprovação do Arcabouço Fiscal, as prioridades orçamentárias para pagar banqueiros, as manobras políticas e judiciais para não pagar o piso nacional da enfermagem aprovado pelo Congresso Nacional, a restrição de abertura de concursos públicos e uma política de congelamento e redução de salários dos servidores públicos civis da União – particularmente, os do Poder Executivo –

serão uma realidade que tende a piorar ainda mais.

O retrato da saúde pública no país é o de milhares de pacientes sem atendimento, em enormes filas intermináveis de espera; falta de pessoal (recursos humanos); sobrecarga de carga horária e de trabalho; salários baixos; violação de direitos e muitos esquemas políticos para impor as Parcerias Público Privadas (PPP) – na verdade, “Promiscuidades Público-Privadas” – como modelo de eficiência para a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) – o que só fez piorar a assistência em saúde na rede pública de saúde em todo o país -, através das Organizações Sociais (O.S), Organizações Não-governamentais (ONGs) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs).

Ao mesmo tempo, a criação das Fundações Estatais de Direito Privado e a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) no âmbito do SUS constituem um grande retrocesso, tanto do ponto de vista da eficiência na prestação dos serviços públicos de saúde quanto na qualidade e responsabilidade da sua gestão.

O SUS requer gestão pública, e não gestão privada. O SUS requer servidores públicos, e não empregados públicos ou contratos temporários de trabalho. O SUS requer concursos públicos, e não processos seletivos simplificados.

No caso específico das Universidades Públicas Federais - que, há décadas, já viviam os efeitos dos cortes de verbas -, há 13 anos amarga o início da experiência de uma empresa pública com personalidade jurídica de direito privado controlando a vida, o destino dos hospitais universitários (hoje transformados em “filiais da EBSERH”) e dos seus trabalhadores. A opção política do governo Lula desde o seu 1º mandato, atende a um programa do Banco mundial de privatizar a saúde, de incentivar as PPPs. Para isso, contou com manobras de reitores, pressões políticas, constrangimentos, ameaças e muitas

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vezes, repressão policial. Tudo isso dando continuidade a um projeto neoliberal iniciado de forma mais contundente a partir da reforma administrativa implementada por Bresser Pereira no governo Fernando Henrique Cardoso.

São treze anos desde o fatídico réveillon (31.12.2010) quando, a partir de uma Medida Provisória (MP 520/2010), iniciou-se o processo legislativo dentro do Congresso Nacional, com o objetivo político de criar a EBSERH. A partir daí, multiplicaram-se todas as formas de assédio moral institucional dentro dos antigos hospitais universitários; estabelecendo-se um ambiente de incentivo para o conflito entre trabalhadores estatutários (servidores públicos) das Universidades Públicas Federais e Trabalhadores celetistas da EBSERH (empregados públicos).

Ao longo do tempo, setores inteiros foram sendo esvaziados nesses hospitais; enfermarias de especialidades foram fechadas; serviços de emergências deixaram de permanecer abertos 24h/dia e inúmeros obstáculos foram sendo criados para o livre acesso a esses hospitais. Os serviços de Perícia Médica das respectivas Universidades Públicas Federais começaram a registrar um aumento significativo de adoecimento no trabalho (depressão, Síndrome de Burnout etc.). Além disso, sob a disciplina administrativa (gerencial) da EBSERH, houve a imposição arbitrária de mudanças de plantões e de horários de trabalho para que os servidores públicos subordinados ao Regime Jurídico Único (RJU) desistissem do trabalho, se aposentassem ou pedissem exoneração. Centenas a milhares de código de vagas dos HU’s surgiram com as aposentadorias em massa, mas não foram repostas com a realização de concursos públicos nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) para o preenchimento dessas vagas nos hospitais públicos federais universitários.

Cada dia mais, os Hospitais “que eram” universitários vão dando passos largos a serem compostos somente por trabalhadores da EBSERH. Cada dia mais distante dos compromissos com o ensino, assistência, extensão e pesquisa, desvinculados que estão, de fato, das suas respectivas Universidades.

A grande meta governamental era seguir o modelo do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, que antes mesmo da lei EBSERH já possuía convênios com Planos de Saúde e Faculdades Privadas, cedendo a estas empresas setores inteiros do hospital. Este caminho só não está mais avançado e consolidado pelas lutas dos trabalhadores e estudantes que vem denunciando os problemas de trabalho, de ensino e a piora dos serviços à população.

Vários militantes e estudiosos críticos da EBSERH já mostraram que sua condição “privada” é uma aberração ao princípio de uma Universidade Pública (Autarquia). Nem mesmo no aspecto econômico liberal a EBSERH faz sentido existir. No aspecto humano, menos ainda, porque sua dinâmica segue a lógica do mercado.

A EBSERH é um modelo de saúde defendido pelo Bando Mundial e pelo Governo Lula. Mas também por sua oposição de direita. Infelizmente a maioria das direções sindicais vinculadas a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA), optaram nos últimos anos a não organizar a luta pela revogação da EBSERH, daí este encontro ter sido tão boicotado por ela. Felizmente, esse boicote não conseguiu impedir a realização, na UNB, do “Seminário Nacional em Defesa dos Hospitais Universitários e da Vida”.

Sendo assim, cabe aos trabalhadores dos Hospitais Universitários (servidores públicos federais estatutários) uma tarefa muito grande, mas necessária: organizar-se, intensificar suas lutas locais, nacionalizar suas demandas; estar mais presente nos fóruns sindicais; pressionar os sindicatos de base e FASUBRA para que assumam as demandas hoje urgentes nos Hospitais Públicos Federais Universitários (HUs).

Por isso, este encontro aprova o seguinte:

PAUTAS REIVINDICATÓRIAS EMERGENCIAIS:

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1- Que a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA) e seus sindicatos de base façam campanha pública irrestrita, demonstrando:

A EBSERH é, sim, uma forma não clássica de privatização e desastre social;

A EBSERH deve ser extinta;

Que os Hospitais Universitários devem voltar ao controle (gestão plena) das Universidades Federais.

2 - REVOGAÇÃO imediata dos contratos com a EBSERH e retomada da gestão direta dos HUs pelas IFEs, com fundamento jurídico no Art.16 da Lei 12.550/2011. Acionar o Ministério Público Federal (MPF) sobre o descumprimento do Contrato da EBSERH com as IFEs;

3 - Carga horária de 30h para todos os Técnicos Administrativos em Educação (TAE) lotados nas IFEs;

4 - Pagamento de adicional de insalubridade para todos os Servidores Públicos de Regime Jurídico Único (RJU), em conformidade com a NR15;

5 - Que a Gestão de Pessoas DGP/DRH das IFEs atendam diretamente os Servidores públicos RJU lotados nos HUs, pois são vinculados às IFEs e ao Ministério da Educação (MEC) e não à EBSERH ou suas respectivas chefias;

6 - NÃO à cessão funcional dos Servidores Federais estatutários (RJU) sem a ciência e anuência do próprio servidor;

7 - Retirada do registro de Cessão dos servidores públicos federais (RJU) lotados nos HUs para a EBSERH do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES);

8 - Os servidores de RJU lotados nos HUs devem seguir, obrigatoriamente, o calendário da própria IFE. NÃO somos empregados da EBSERH;

9 - Não vincular as remoções de servidores para locais fora dos HUs ao quantitativo de pessoal da EBSERH. O Servidor público estatutário (RJU) não pode ser refém da EBSERH e de sua ingerência administrativa;

10 - Que o Governo Federal pague imediatamente o Piso Salarial da enfermagem, de forma coerente, sem as manobras de interpretação que estão ocorrendo;

11 - Pela realização IMEDIATA de Concurso Público para servidores públicos civis federais (RJU), devolvendo AS VAGAS DOS HUs, com base em levantamento feito junto às Reitorias do número de vagas por aposentadorias e óbitos de servidores RJU lotados nos HUs e que não foram repostas desde a criação da EBSERH, inclusive para os cargos extintos que hoje estão sendo terceirizados. Considerar as especificidades dos Hus e a necessidade de ter uma cozinha, uma lavanderia e manutenção independentes, de qualidade e efetivos;

12 - Orientar pacientes, estudantes e trabalhadores a realizarem denúncias sobre todos os desmandos da EBSERH, desde o fechamento de serviços e leitos; falta de equipamentos, materiais e insumos. Produzir material informativo indicando os locais para realização destas denúncias, tais como: Ouvidoria Geral do SUS, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União.

13 - Realização de uma AUDITORIA URGENTE (TCU, CGU e alguma organização da sociedade civil – como a Auditoria Cidadã da Dívida), para mostrar que a EBSERH, também no aspecto econômico, não serve para o Brasil e o Povo brasileiro;

14 - Cobrar posicionamento dos Sindicatos de Base e buscar parcerias com Movimento Estudantil, Movimentos Populares, Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde, Conselhos de Saúde

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(municipais e estaduais), Conselho Nacional de Saúde (CNS) e do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES) para que façam levantamento e divulguem os prejuízos que passaram a ter com a gestão da EBSERH, tanto para o ensino, pesquisa e extensão, quanto para a assistência em saúde à população, principalmente a mais vulnerável. Denunciar e tornar público a dificuldade de acesso dos estudantes aos seus Hospitais de Ensino, a péssima qualidade do Campo de Ensino dentro do HUs (falta de materiais, equipamentos, redução de leitos, fechamento de serviços e de salas de cirurgias). Ausência de número suficiente de docentes e preceptores capacitados para a formação de profissionais de qualidade para o atendimento à saúde da população, o que pode resultar em danos graves aos usuários (pacientes) do Sistema Único de Saúde (SUS);

15 – Cobrar da FASUBRA e Sindicatos de Base apoio irrestrito às deliberações do Grupos de Trabalho (GTs) dos Hospitais Universitários;

16 – Impulsionar a construção de um dossiê coletivo sobre os HUs pós implantação e gestão da EBSERH, com prazo até março de 2024 para divulgação à população;

17 - Quem cuida de quem cuida? Que os HUs, juntamente com as Universidades a que estejam vinculados, formulem e apliquem políticas para atender os servidores que adoeçam no trabalho;

18 - Que se tenha diálogo com os empregados públicos (celetistas) da EBSERH, no sentido de que é de suma importância a reintegração dos HUs às IFE’s. Para tanto, é urgente a revogação do contrato com a EBSERH. Contudo, defendemos que eles se mantenham como empregados públicos vinculados a administração pública, sem prejuízo dos seus empregos;

19 - Ampliação do investimento público nos hospitais Universitários. Contra toda forma de discriminação entre HUs gerenciados e não gerenciados pela EBSERH no acesso ao financiamento público, inclusive o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Saúde;

20 - Considerar uma afronta à autonomia universitária a realização da prova nacional para residências médica e multiprofissional organizada pela EBSERH. As provas devem ser realizadas pelos HUs, sob o controle das suas respectivas Universidades, com bancas organizadas pelas instâncias acadêmicas das universidades;

21 – Definição, em lei, de uma data base para reajuste anual de salários dos Servidores Públicos Federais Civis da União;

22 - Que a gestão EBSERH nos HUs seja tema de uma reunião extraordinária nos Conselhos Universitários de cada IFE’s;

23 - Provocar a Construção de uma Frente Parlamentar em Defesa dos HUs.

Venha construir conosco a Frente Única em Defesa dos Hospitais Universitários! Brasília/DF, 03/10/23.