segunda-feira, 15 de maio de 2023

DIREITO À MORADIA EM TEMPO DE PAZ TOTAL * Margarita Jaimes Velasquez/REVISTA RAYA

DIREITO À MORADIA EM TEMPO DE PAZ TOTAL
Por Margarita Jaimes Velasquez/REVISTA RAYA

Quando falamos do gozo efetivo dos direitos humanos, falamos do direito de ser feliz. Não a felicidade que eles nos venderam, não aquela quimera de alegria e prazer em todos os lugares. Falamos de tranquilidade, de satisfação de necessidades essenciais para o desenvolvimento do potencial humano.

Especificamente, o direito à moradia digna é um daqueles direitos que proporciona muita tranquilidade para quem pode usufruí-la. O Programa “Mi casa ya” do Ministério da Habitação, Cidade e Território vinha garantindo esse direito a milhares de famílias da classe trabalhadora. O Programa não foi, nem é perfeito, certamente, as construtoras envolvidas nos megaprojetos abusam de sua posição dominante na relação com o comprador. Coisas como fazer o comprador pagar todas as despesas notariais, impostos e outros custos que por lei deveriam ser cobertos por eles, são visivelmente transferidos para quem quer comprar o imóvel.

Tudo isso é possível porque o interessado precisa ter acesso à casa. O testamento cede à impossibilidade de dispor de outros meios económicos para adquirir o imóvel. Relutantemente, o comprador acaba aceitando condições leoninas que acabam afetando sua economia. O rosário de abusos inclui a imposição de alterações à promessa inicial de compra e venda em que os únicos beneficiários são eles. São feitos ajustes, como alterar as datas a seu gosto para a assinatura da escritura ou a entrega do imóvel. É claro que, se quem propõe a mudança for o promitente comprador, eles avisam que estão descumprindo o acordo e efetivam a cláusula penal. Definitivamente, a lei do funil, o largo para eles e o estreito para as pessoas.

Mesmo assim, isso se tornou o meio para muitas famílias da classe trabalhadora com capacidade de pagar para acessar o gozo de uma casa. Então isso significaria vender sua vida profissional para o banco. Hoje, em 2023, o Governo decidiu mudar as regras do jogo para a concessão de subsídios. Tendo em vista que o sindicato da construção civil seria afetado e as pressões que exerceram, o Ministério decidiu determinar um período de transição durante o ano de 2023 para quem já tinha o negócio adiantado. A rapidez com que responderam às pressões denota a importância e o poder desse setor. No entanto, o que é preocupante é que a questão das mudanças que o Decreto 490 de 2023 traz para quem aspira obter sua casa por meio do subsídio e quem não é contemplado pelo período de transição passou de baixa.

Por exemplo, uma pessoa a quem o seu imóvel seja entregue em 2024, tenha iniciado o negócio em 2021, e não se encontre em Sisbén IV entre A1 e D20, não estará sujeita ao subsídio, pelo que deverá pagar a cláusula penal que pode oscilam entre 18 e 20 milhões ou vejam como pedem emprestado por um valor maior para pagar o imóvel. Vejamos, onde está a ideia de que direitos econômicos e sociais também são direitos humanos? Não era a ideia de que os direitos humanos deveriam proporcionar felicidade ou tranquilidade ao indivíduo? O propósito não era superar a pobreza multidimensional? Eu realmente não entendo a justificativa para tais mudanças.

Segundo a página do Ministério, as mudanças buscam atender às necessidades de quem mais precisa. O problema é que quem mais precisa, ou seja, quem está na extrema pobreza não tem direito a empréstimos pelo sistema financeiro, ou seja, o subsídio de 30 salários mínimos será suficiente, no melhor dos casos, para comprar um lote desenvolvivel. Na mesma linha, devo afirmar que para chegar aos municípios onde o programa não chegou, não foi preciso mudar as regras do jogo para os candidatos. A priorização do território teve que ser mudada. Faça um maior controle dos projetos e construtoras.

Na realidade, essas medidas parecem ter o objetivo de impedir que o trabalhador que ganha mais de dois salários mínimos tenha direito à moradia. Quem disse que ele é uma pessoa rica? Por favor, o que vem aí é uma regressão no acesso à moradia. A paz total deve visar a proteção da classe trabalhadora com o mesmo zelo com que se protege a classe mais pobre e desempregada. A paz total deve acabar com a discriminação institucional e não aumentar as brechas de desigualdade. O direito à moradia é um direito do desenvolvimento, é um direito que dá segurança, é um direito da família e principalmente, um direito que não permite retrocesso.

FONTE
ANEXO
HUGO CHÁVEZ DENUNCIA CORRUPÇÃO

domingo, 14 de maio de 2023

REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA * Movimento Pautas Populares/MPP

Seminário
Direito à terra, regularização fundiária e propriedade coletiva
UNIÃO NACIONAL POR MORADIA POPULAR

Cidade, chão de lutas!: Movimentos de moradia construindo o direito à cidade * Coordenadoria Ecumênica de Serviço - CESE

Cidade, chão de lutas!
Movimentos de moradia construindo o direito à cidade
APRESENTAÇÃO

Em três vídeos, a websérie “Cidade, chão de lutas!” retrata a luta de movimentos de moradia, movimento negro, de mulheres e juventudes pelo Direito à Cidade, ou seja, por acesso a trabalho, alimentação adequada, moradia, saúde, educação, mas também pelo direito de participar, de ter o poder coletivo para transformar a cidade, tornando-a mais justa e verdadeiramente democrática.

Seu primeiro vídeo tem como foco o direito à moradia, trazendo a experiência da Campanha Despejo Zero para articular resistências a remoções, especialmente no contexto da pandemia.
A websérie foi lançada no dia 6 de outubro de 2021, como uma referência ao Dia Mundial do Habitat e dos/as Sem Teto, celebrado na semana do seu lançamento.

A websérie “Cidade, chão de lutas!” é uma iniciativa da CESE, com apoio de Misereor e produção do Coletivo Trama.

Texto: Valéria Pinheiro, Vanessa Pugliese e Viviane Hermida Narração: Vitória Maria Matos Tradução em Libras: Simone Dornelles Produção: Coletivo Trama Produção executiva: Matheus Tanajura Roteiro e curadoria: Lucas Ribeiro e Matheus Tanajura (Coletivo Trama) Ilustrações e colagens: Natália Arjones e Maria Bosetti Trilha: Natália Arjones
Animação e edição: Michele Ramos

FONTE

A CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço é uma entidade sem fins lucrativos que há 5 décadas apoia projetos em todo o Brasil voltados para a melhoria de vida e pela garantia dos direitos humanos. Desde a sua fundação, em 1973, até hoje, a CESE já apoiou mais de 11 mil projetos de organizações populares em todo o Brasil, beneficiando aproximadamente 10 milhões de pessoas. A CESE é uma ONG de muita credibilidade e que dispõe do apoio de várias organizações e agências internacionais como: BROT FÜR DIE (Pão para o mundo), Fundação Appleton, Fundação Ford, HEKS (Agência de Desenvolvimento das Igrejas Protestantes da Suíça), MISEREOR (Agência de Desenvolvimento das Igrejas Católicas Alemãs), Wilde Ganzen (Gansos Selvagens), Climate and Land Use Alliance, Terre des Hommes Suisse, Instituto Clima e Sociedade e Instituto Ibirapitanga. Acesse o site da CESE e conheça mais
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sexta-feira, 12 de maio de 2023

O direito à moradia e a importância do Poder Público para garantir qualidade e segurança nas construções * João Ricardo Serafim, Luana S. Barreto e Rodrigo Bertamé/NOTICIA PRETA

O direito à moradia e a importância do Poder Público para garantir qualidade e segurança nas construções
Por João Ricardo Serafim, Luana S. Barreto e Rodrigo Bertamé

Recentemente tivemos a triste notícia do desabamento de uma casa de três pavimentos no Morro da Cotia, no Complexo do Lins. É importante ressaltar que este não é um fato isolado. A consolidação do espaço urbano no Brasil revela que a questão da moradia é ainda uma das maiores e mais complexas problemáticas das nossas cidades. Enfrentamos um grande desafio de dimensões políticas e socioeconômicas que se agrava a cada ano.

Morar com qualidade ainda parece um artigo de luxo. Enquanto alguns privilegiados conseguem contratar técnicos em edificações, engenheiros civis, ambientais e arquitetos para suas obras, a grande maioria dos trabalhadores mais pobres não tem condições financeiras para acessar esses serviços. Assim, a autoconstrução ou construções precárias são a única alternativa para garantir um teto sobre suas cabeças.

Segundo pesquisa DATAFOLHA e CAU-BRASIL realizada em 2022, “Dentre 50 milhões de brasileiros que já fizeram obras de reformas ou construção, 82% não contrataram serviços de profissionais tecnicamente habilitados, arquitetos ou engenheiros”.

As implicações do distanciamento desses profissionais das construções do cotidiano são diversas: desabamentos (como o ocorrido), estruturas condenadas por intempéries, problemas decorrentes da falta de cálculo estrutural, exposição e oxidação de ferragens, estufamento de ladrilhos, infiltrações, impermeabilização mal-feita, flambagens, ventilação natural precária (aumentando o índice de doenças respiratórias), instalações elétricas mal elaboradas (aumentando o risco de incêndio), hidráulicas e sanitárias feitas de forma incorreta.

As questões se agravam mais ainda em uma realidade de desigualdade urbana como a vivida no Rio de Janeiro. Vivemos questões específicas que exigem um programa robusto com olhar técnico especializado e multidisciplinar.

Segundo a pesquisadora Luciana Ximenes e Samuel Jaenisch do Observatório de Metrópoles: As favelas Rio se caracterizam por terem a maior densidade demográfica dentre todos os municípios da Região Metropolitana (257 hab/ha) e por possuírem uma alta taxa de verticalização, sendo que, em média, 24% dos domicílios possuem três pavimentos ou mais, 59% possuem dois pavimentos, restando 17% com apenas um pavimento.

Morar com qualidade e dignidade é um direito constitucional universal, e é dever do Estado garantir que aqueles que não têm condições de contratar um arquiteto pela via direta possam ter acesso a esses serviços especializados.

Democratizar a prestação de serviços em arquitetura e urbanismo trará benefícios diretos para milhares de famílias, para o conjunto da sociedade e para nossas cidades, além de gerar economia no setor público e dinamizar a cadeia produtiva da construção civil.

Por isso, é necessário criar um sistema capaz de massificar os processos respeitando a esfera pública e democrática do direito à cidade. Devemos aprender com ações como Favela-Bairro, Morar Carioca, entre outros. Citamos aqui uma política de grande valor: precisamos revisitar a experiência dos POUSOs, otimizando os pontos positivos e corrigindo os negativos e integrando ao funcionamento da estrutura, o conceito de Assistência Técnica amparado pela lei.

Defendemos a criação de uma instância pública, com profissionais concursados da área da Arquitetura e Urbanismo e demais setores da construção civil, somados a agentes comunitários e assistentes sociais. O órgão, que funcionaria como uma defensoria pública, estaria associado às secretarias municipais de urbanismo, a fim de fazer cumprir a lei da Assistência Técnica.

Seus respectivos servidores seriam responsáveis por acolher os requerimentos da sociedade civil em comprovada situação de vulnerabilidade econômica no âmbito das suas necessidades em construção, e pensar a assistência técnica no âmbito de três escalas: familiar, comunitária e de Estado.

Caberia a esta instância dar os primeiros acolhimentos e soluções para dignidade habitacional dos moradores e levar a instancias superiores do poder público demandas urgentes como saneamento do território, criação e manutenção de praças, entre outros.

Retomar o caráter do arquiteto como um servidor da sociedade e um elo entre as comunidades mais vulneráveis e as esferas públicas de poder trará benefícios a todas as camadas da população brasileira. Seriamos capazes de reduzir as mazelas e riscos que a desigualdade social e espacial cria nas cidades e desonerar o Estado em gastos emergenciais que são realizados a cada tragédia que nos assola ao mesmo tempo em que mitigamos o sofrimento que as populações mais pobres enfrentam na luta diária pela sobrevivência.

FONTE

sexta-feira, 5 de maio de 2023

América Latina Sem Fome * DOC TV CÂMARA / FAO

AMÉRICA LATINA SEM FOME
América Sem Fome O documentário América Latina e Caribe sem Fome aborda a questão alimentar na América Latina e Caribe por meio de depoimentos de especialistas como representantes da FAO, consultores da ONU, autoridades ligadas aos governos locais, além de pequenos agricultores e moradores de cada país visitado
DOC TV CÂMARA/FAO